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segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Impressionante caso de Simo Haya - A Morte Branca


Simo Häyä tinha uma vida bem entediante na Finlândia. Ele serviu um ano mandatório no exército, e então se tornou fazendeiro. Mas quando a União Soviética invadiu sua terra natal em 1939, ele decidiu que queria ajudar seu país. Já que a maioria das lutas ocorriam nas florestas, ele achou que o melhor jeito de impedir uma invasão era pegar seu rifle de confiança, duas latinhas de comida e esconder-se em uma floresta o dia inteiro, atirando em russos. Sob dois metros de neve. E 20-40 graus abaixo de zero.

É claro que quando os Russos ouviram que dezenas de seus homens estavam sendo apagados, e que era só um cara com um rifle, eles ficaram assustados. Ele ficou conhecido como a “Morte Branca” por causa de sua camuflagem branca, e eles chegaram a montar missões inteiras apenas para matar esse único cara. Eles começaram mandando uma força especial para achar Häyä e matá-lo. Ele matou a todos eles. Então eles tentaram juntar um grupo de counter-snipers (que são basicamente snipers que matam snipers) e os mandaram para eliminar Häyä. Ele eliminou todos também.

No decorrer de 100 dias, Häyä havia matado 542 pessoas com seu rifle. Ele derrubou mais 150 com sua metralhadora SMG, mandando sua contagem de corpos para mais de 705, um recorde universal que dificilmente será ultrapassado nessa nossa realidade. Já que todos os homens que eles tinham estavam ou muito assustados, ou muito mortos para chegar perto dele, os russos decidiram simplesmente bombardear todos os lugares onde acharam que ele poderia estar. Supostamente eles acertaram o local, e ele foi atingindo por uma nuvem de fogo que destruiu suas vestimentas e tudo ao seu redor, mas não o matou, por que ele é a maldita Morte Branca, é claro. Finalmente em 6 de Março de 1940, algum bastardo de sorte acertou Häyä na cabeça, com uma bala explosiva. Quando os outros soldados o encontraram e o levaram para a base, ele “tinha perdido metade da cabeça”. A Morte Branca havia finalmente sido abatida…
(…) por mais ou menos uma semana. Apesar de ter sido diagnosticado com um caso severo ele ainda estava bastante vivo e recuperou a consciência em 13 de Março, o mesmo dia em que a guerra acabou, Simo Häyä morreu em 2002, em sua casa, anos depois do seu "acidente".

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Yukio Mishima - Harmonia entre Pena e da Espada


O escritor e dramaturgo Yukio Mishima (Kimitake Hiraoka - 1925-1970) é decerto um dos personagens japoneses mais icônicos do século XX por escancarar de modo excêntrico as contradições de um país milenar que avançava na estrada do progresso sem vislumbrar, um pouco que seja, a vista pelo retrovisor, nem mesmo o velocímetro.

Mishima, educado como um samurai, viveu e morreu como um, tendo entrado na escola enquanto o Japão militarista 'entrava' na China. Sem a atenção do pai, que o queria formado em engenharia a despeito de seu talento pelas artes, e cuidando de uma avó doente e possessiva, Kimitake refugiava-se na literatura para aguentar a opressão do dia-a-dia, e justamente por isso criou seu nome artístico, na intenção de esconder do pai suas atividades. Influenciado por obras como o Hagakure do século XVII ("o ventre de onde nasceu minha escrita"), sua produção ganha destaque imediatamente após o cessar da segunda guerra mundial, onde descreve a situação política e social do país, ocupado pelas forças americanas, com esmero literário.

Toda a sua obra é permeada por paradoxos. Beleza e morte, amor e rejeição, oriente e ocidente são alguns exemplos. Seu tema central era a dicotomia entre os valores tradicionais japoneses e a pobreza espiritual da vida contemporânea, que tornara o Japão moderno porém infértil. Homem híbrido, era o exemplo vivo do japonês no pós-guerra, que mesmo quando defende o retorno aos valores tradicionais, não o faz sem a onipresente influência ocidental. Mishima falava inglês fluentemente (até como forma de auxílio na tentativa de levar o prêmio Nobel), apreciava pensadores ocidentais como Oscar Wilde e mesmo seu estilo literário era temperado com pitadas de ocidente, caso de Mar Inquieto, onde muitos críticos vêem notória influência dos escritos gregos.


Criança anêmica, Mishima se sentia eternamente culpado por fingir uma tuberculose quando estava gripado, fato que fez o médico das forças armadas considerá-lo como inadequado ao exército, e que levou Yukio a se preparar para uma guerra que nunca veio, no papel de um legítimo samurai. Como homem, casou e virou pai de dois filhos para poder dar sequência à linhagem familiar apesar de homossexual. Como escritor, criticou o sedentarismo daqueles que viviam da pena, defendendo que palavras devem gerar ação. Como samurai, aperfeiçava corpo (mestre em kendô e karatê) e mente enquanto lutava para reunir seu povo e incitá-lo à rebelião contra o que estava sendo feito com o Japão.

"Japan will disappear, it will become inorganic, empty, neutral-tinted; it will grow wealthy and astute." Mishima

Como afirma Jordi Mas, pesquisador de Ásia Oriental de Barcelona, ele "temia que o progresso econômico se conseguisse em detrimento da própria cultura", enquanto o japonês, recentemente humilhado na guerra, era amparado pelos americanos e se embriagava com trabalho e bem-estar material. Mishima reclama o direito do povo japonês desfrutar de soberania e justiça social, conservando as tradições, sem alienar a adaptação do país à técnica industrial.

A cultura tradicional japonesa foi fortemente suprimida pela ocupação americana, que via nisso uma forma de jogar as últimas pás de terra nos valores nacionalistas e militar-expansionistas do Japão, assim como abrir espaço para valores pacifistas, liberais e progressistas (e ao American Way of Life, naturalmente). A censura americana, vinda da Seção de Informação e Educação Civil (ligada ao Comando Supremo de Forças Aliadas do general McArthur), reprimiu manifestações artísticas que remetiam ao passado feudal japonês, como o teatro Kabuki, além da proibição do ensino de artes marciais japonesas.

Enquanto muitos estavam ocupados demais assistindo aos filmes de Hollywood e desenhos de Hanna Barbera, alguns japoneses mostravam-se particularmente incomodados com a presença americana e sua censura. Entre os anos 50 e 70, houve um crescimento das manifestações culturais que remetiam ao nacionalismo de outrora. Nesse período se popularizaram os dramas de samurais produzidos pela Toei. Alguns exemplos de produção da época são o livro Requiem for Battleship Yamato de Mitsuru Yoshida e os filmes Os Sete Samurais de Akira Kurosawa e Japan's Longest Day de Kihachi Okamoto.

Não foram apenas os artistas e intelectuais, mas o próprio governo japonês fez o possível para revitalizar a cultura tradicional do país, imprimindo a arquitetura nas obras públicas, investindo em preservação de pontos históricos, trazendo de novo à luz os teatros No e Kabuki, bem como a cultura samurai, até hoje presente nas escolas e universidades japonesas. Em 1966, publicou o Program of forming desirable image of Japanese, onde fixou características do "japonês ideal", bastante influenciado pelo Bushido, código de conduta dos samurais ("caminho do guerreiro"). Citarei o conteúdo do programa quando falar sobre o sistema educacional japonês.

Mishima, no entanto, foi mentor da mais simbólica tentativa de restituir aquele Japão que não existia mais. Em 25 de Novembro de 1970, acompanhado de 4 membros do Tatenokai (milícia de estudantes patrióticos que estudavam artes marciais sob a tutela de Mishima), todos vestidos com os uniformes do Exército Imperial, renderam o comandante Masuda do quartel general das forças de Auto-defesa de Tóquio (mataram oito soldados resistentes na invasão). Mishima, então, fez um discurso patriótico para cerca de dois mil soldados, convocando-os a lutar contra a constituição japonesa, escrita por americanos, e a favor da restituição do poder imperial. Diante da indiferença dos militares, Mishima cometeu o Seppuku (suicídio ritual dos samurais) após gritar 3x: "Longa vida ao Imperador!".

"Perfect purity is possible if you turn your life into a line of poetry written with a splash of blood."Mishima.

Sua morte é considerada o protesto derradeiro contra a decadência da sociedade japonesa. É preciso entendê-lo para não cair no erro de acusá-lo de simples fanático. O membro Emílio da comunidade Literatura Japonesa no Orkut sintetizou isso corretamente: "Ao leitor desavisado, descontextualizado e globalizado o patriotismo soa anacrônico e panfletário. Mas vale lembrar que Mishima vivia no Japão militarmente ocupado pelos americanos.". Yukio teve sua cabeça moldada no auge do militarismo, não se deve esquecer.

Mishima dedicou sua vida à pátria e à nação. Lutou contra a materialização do espírito de um povo que deixou de ser soberano. Protestou "contra a inoperância, a apatia do amorfo Exército Japonês, que, como se sabe, não é mais que uma polícia, mais destinada a reprimir o povo, do que uma milícia capaz de salvaguardar a Nação.".

O ato radical do escritor invocou uma estranha apreensão em alguns japoneses. Apesar da consciência do extremismo no ato de Mishima, esses japoneses pararam para pensar sobre aonde estavam indo ao se preocuparem em produzir tanta riqueza enquanto se sentiam tão vazios e culturalmente desconectados das tradições do país que construiram a visão de si mesmos. A maioria dos japoneses, no auge da apologia ao consumo, viram no ato apenas mais uma das excentricidades de Mishima e um péssimo exemplo. A recepção no ocidente, carente de ídolos românticos, foi muito mais forte, descobrindo a força da obra completa de Mishima antes do próprio Japão, que apenas o reconheceu devidamente após revisitar seu legado nos anos 80, tentando entender o que os gaijins viam de importante nele.

"A morte é uma espécie de castigo eterno, infligido à materializada sociedade ocidental que vive afastada da natureza. Para nós não o é, de modo absoluto, uma vez que nos consideramos parte integrada da natureza. Devido a isso, a morte, aos olhos do meu povo, é um prêmio, algo assim como a transformação, a liberdade da matéria. Morrer é partir, não desaparecer. Outrora, o mundo cristão, creio, tinha igual ou semelhante filosofia. E foi então que logrou consolidar-se. Pois bem: nós queremos recuperar plenamente esse estilo de vida e aplicá-lo a uma grande política nacional e popular. O contrário seria o mesmo que aceitar a hibernação indefinidamente da alma japonesa." Yukio MIshima
"Sempre ouça seu espírito. É melhor estar errado que simplesmente seguir o convencional. Se você está errado, não importa, você aprendeu algo e crescerá mais forte. Se você tiver razão, você deu outro passo para uma vida superior." Trecho do Hagakure, obra que mais influenciou a escrita de Mishima.



FONTES:
Forming nationalistic mentality of Japanese youth by Japanese ruling circles with use of bushido ideology (Andrei Vasil’evich Golomsha)
Mishima: O hara-kiri do silêncio - Política», n.º 26, pág. 12, 31.01.1971
YUKIO MISHIMA: A 20th Century Samurai
Mishima, el último samurai - Anna Zaera
No país do sol nascente - Giovanna Bartucci
Os samurais - History Channel
http://www.culturajaponesa.com.br/htm/cinemajapones.html
Postagem original http://otakismo.blogspot.com/2011/03/yukio-mishima-e-crise-de-identidade.html

Tributo

domingo, 5 de junho de 2011

Frau Isle Koch - A nazista colecionadora de peles


Essa é frau Isle Koch, esposa do comandante de Buchenwald, apelidada de Cadela de Buchenwald.

São poucas histórias que realmente conseguem me impressionar muito, e a história desta mulher, é uma delas.
Frau Koch era uma sádica mulher que tinha o poder de vida e morte sobre os prisioneiros de Buchenwald e cujos caprichos podiam custar-lhes terríveis punições.

Os prisioneiros eram mortos e lhes eram retirada sua pele.
As peles dos prisioneiros dos campos de concentração, especialmente os executados para esse fim vampiresco, tinham apenas valor decorativo.

Descobriu-se que ela constituia excelente quebra-luz para lâmpadas, e muitas dessas peles foram dadas a "cadela de Buchenwald".

Um internado alemão, Andreas Pfaffenberger, depôs a respeito perante o tribunal de Nuremberg.

"Ordenou-se a todos os prisioneiros com tatuagens que comparecessem ao dispensário (...) Depois de examinados, eram mortos por meio de injeções os que tivessem melhores e mais artísticos desenhos (tatuados). Os cadáveres eram depois enviados ao departamento patológico, onde eram tiradas as àreas desejadas de pele tatuada, que recebia certo tratamento.
Os produtos eram depois de prontos entreges à esposa de Koch, que com eles mandava fazer abajures e outros ornamentos para casa"

NCA, VI, p. 122-3 (N.D. 3249-PS)

Uma porção de pele, que parece ter agradado muito a sra. Koch, tinha as palavras "Hänsel e Gretel", tatuadas.

Ela foi sentenciada à prisão perpétua no "julgamento de Buchenwald", mas a sentença foi comutada para quatro anos. Foi logo posta em liberdade. Em 15 de janeiro de 1951, um tribunal alemão condenou-a à prisão perpétua por assassínio.

Fotos do julgamento:




Em outro campo, o de Dachau, a procura de tais peles ultrapassava muitas vezes a quantidade de suprimentos. Um médico tcheco prisioneiro, Dr. Frank Blaha, depôs em Nuremberg a esse respeito

"Não tinhamos, às vezes, número suficiente de corpos de boa pele; o dr. Rascher, então, assegurava que os arranjaria. No dia seguinte, recebíamos vinte ou trinta corpos de pessoas jovens. Matavam-nas com um tiro na nuca ou com uma pancada na cabeça, para não danificar a pele (...) A pele devia ser prisioneiros sadios e livres de defeitos."

Ibid., V, p 952 (3249-PS)

Referências literárias:
Ascensão e Queda do Terceiro Reich - O Começo do Fim, de William L. Shirer

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