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domingo, 18 de março de 2012

Um pequeno rascunho sobre Leonardo da Vinci

Leonardo da Vinci é sem dúvidas não apenas uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, mas coloca-se quase como uma das pessoas mais incríveis de todos os tempos.

É sabido que em sua vida ele tornara-se o arquétipo perfeito do homem renascentista, cuja a curiosidade insaciável era apenas igualada a sua capacidade de invenção.
Considerado por muitos o maior gênio da história da humanidade. Talvez, a pessoa dotada de talentos mais diversos a ter vivido, colocando-o num nível quase sobre-humano.

Leonardo da Vinci era cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor (um dos maiores de todos os tempos), escultor, arquiteto, botânico, poeta, músico.

Seu famoso caderno de anotações contêm desenhos, diagramas científicos, e seus pensamentos sobre a natureza da pintura.

É considerado percursor da aviação, da balística, reverenciado pela sua engenhosidade tecnológica.

Concebeu ideias muito à frente de seu tempo, como um protótipo de helicóptero, um tanque de guerra, o uso da energia solar, uma calculadora, o casco duplo nas embarcações, e uma teoria rudimentar das placas tectônicas.

O pintor Giorgo Vasari o descreve com grande admiração; "espetacular beleza física", "graça infinita", "grande força e generosidade", "espírito régio e tremendo alcance mental". Estes eram exemplos dos descritivos que mostram o quanto ele conseguia atrair a curiosidade daqueles que o cercavam.
Diversos autores especularam sobre os vários aspectos da personalidade de Leonardo; um deles, a sua adoção de éticas e práticas pessoais, que podem ser ocasionadas de sua crescente admiração pela natureza e suas criaturas, como pode ser exemplificado por seu vegetarianismo e o hábito, descrito também por Vasari, de comprar pássaros engaiolados e libertá-los.

Seu aprendizado começou com Andrea del Verrocchio, em 1446, diretor de um ateliê em Florença e um dos artistas mais bem sucedidos da época.

Leonardo, assim como artistas de renome, passou a frequentar o lar dos Médici, e através deles conheceu filósofos humanistas como Marsilio Ficino, proponente do neoplatonismo, Cristoforo Landino, autor de comentários sobre os escritos da Antiguidade Clássica, e João Argyropoulos, professor de grego e tradutor das obras de Aristóteles. Outro contemporâneo de Leonardo que também teve seu nome associado à Academia dos Médici foi o jovem e brilhante poeta e filósofo Pico della Mirandola.

Seus trabalhos artísticos são marcados pela utilização da técnica artística da perspectiva, uso de cores próximas da realidade, figuras humanas perfeitas, temas religiosos, uso da matemática em cálculos artísticos, imagens principais centralizadas, paisagens de fundo, figuras humanas com com expressões de sentimento, detalhismo artístico.

Dentre suas obras mais famosas estão "Gioconda" ("Mona Lisa") , "Leda", "Dama do Arminho", "Madonna Litta", "Anunciação", "A Última Ceia", "Ginevra de Benci", "São Jerônimo", "Adoração dos Magos", "Madona das Rochas", "Retrato de Músico", "São João Batista", "Madona do Fuso", "Leda e o Cisne".

Duas de suas obras, a "Mona Lisa" e "A Última Ceia", estão entre as pinturas mais famosas, mais reproduzidas e mais parodiadas de todos os tempos, e sua fama se compara apenas à Criação de Adão, de Michelângelo.

O desenho do "Homem Vitruviano", um estudo das proporções do corpo humano, também é tido como um ícone cultural, e foi reproduzido por todas as partes, desde o euro até camisetas.

Cerca de quinze de suas pinturas sobreviveram até os dias de hoje; o número pequeno se deve às suas experiências constantes - e frequentemente desastrosas - com novas técnicas, além de sua procrastinação crônica.
Ainda assim, estas poucas obras, juntamente com seus cadernos de anotações formam uma contribuição às futuras gerações de artistas que só pode ser rivalizada à de seu contemporâneo, Michelângelo.

Algumas obras:

Leda

Dama de Arminho

São Jerônimo

Madonna Litta

Monalisa

São João Batista

A Última Ceia

Adoração dos Magos

Anunciação

Guinevra de Benci


Leda e o Cisne

Madona das Rochas

Retrato de Músico
O Homem Vitruviano

Michelângelo

Pietá
Pintor, escultor, poeta, arquiteto, grande representante das artes plásticas do Renascimento Italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente.

Descendente de uma família aristocrática florentina. Seu pai, e primeiro tutor, foi Domenico Ghirlandaio, um talentoso artista, contemporâneo de Botticelli.

Michelangelo logo cedo em sua atividade artística conseguiu contatos com membros da família Médici, se inserindo na escola de Lorenzo de Médici, onde permaneceu por 2 anos.
Em Florença, recebeu influências artísticas de vários pintores, escultores, obras renascentistas e intelectuais da época, renomados humanistas neo-platônicos, já que a cidade era um grande centro de produção cultural e intelctual.

O contato com esse ambiente vai influenciar muito sua postura inovadora frente sua profissão, tanto na forma como na iconografia.

Após a morte de Lourenço, em 1492, foi morar em Bolonha, onde ficou por 4 anos.
Recebeu um convite do cardeal San Giorgio, um grande admirador de sua arte, para morar em Roma.
Nesta época criou duas importantes obras com grande influência da cultura greco-romana: "Pietá" e "Baco".

Foi por volta dessa época também, em 1501, que ele criou 2 de suas obras mais famosas, "Davi" e a pintura da "Sagrada Família".

Ainda vivo, era considerado o maior artista de sua época. Em 1503 recebeu um novo convite de Roma, vindo de Júlio II, para fazer o túmulo papal, obra que nunca terminou por ser um artista muito requisitado.
5 anos mais tarde, foi incumbido pelo papa Julio II a pintar a cúpula da capela Sistina, como seu pai fora também anos atrás.

Um dado interessante é que Michelangelo relutou em aceitar o convite pois se considerava um escultor, e não um pintor.

No entanto, o resultado da obra é uma composição é monumental, as figuras humanas são ressaltadas em seus contornos em volume escultural, enquanto as paisagens são tratadas com menor importância.

Essa evidência das formas humanas sobre a paisagem já mostra algumas tendências filosóficas que vão valorizar o homem como obra magma de Deus, com uma importância bem mais elevada que todas as outras coisas criadas, algo que apontaria para o antropocentrismo.

Percebe-se nessa obra estudos exaustivos e minuciosos sobre o corpo humano, como em "O Belo", incorpóreo e acima de tudo espiritualizado, caminho para contemplação do divino.

Encontramos em Michelangelo não apenas a mimese das formas naturais do homem, mas uma idealização delas na busca de um modelo de beleza clássica.

Michelangelo, no entanto, não se prende apenas as formas clássicas, ele também inicia a desintegração dos cânones da Renascença. Suas obras muitas vezes mostram uma dramatização, o vigor dos corpos se contorcendo e a originalidade da abordagem dos temas tratados apontam para traços anticlássicos, resultado de um impulso incontrolável, uma mistura de fúria e loucura genial.

Seu estilo se desenvolveu na transição do Renascimento para o Maneirismo, uma revisão dos valores clássicos e naturalistas, marcado pela deliberada sofisticação intelectualista, valorização da originalidade e das interpretações individuais, pelo dinamismo e complexidade de suas formas e pelo artificialismo no tratamento dos seus temas, a fim de se conseguir maior emoção, elegância, poder ou tensão. É marcado pela contradição e o conflito e assumiu na vasta área em que se manifestou variadas feições

Mas não podemos encaixá-lo nesta ou naquela escola, pois suas obras transcendiam a qualquer tradição, regra e teoria pré-estabelecida.

São Bartolomeu com a faca de seu martírio segurando uma pele esfolada,
o rosto da pele é reconhecido como o de Michelangelo
 

sábado, 17 de março de 2012

A arte de Rafael Sanzio


Filho do poeta Giovanni Santi, pintor e poeta, autor de uma famosa crônica em verso sobre sua cidade natal, Colbordolo.
Rafael nasceu na cidade de Urbino, foi seu pai quem ensinou-o a pintar e, também, quem o introduziu à corte humanista da cidade, que ao final do século XV, havia se tornado um dos mais ativos centros culturais da Itália.
Ele forma junto com Michelangelo e Leonardo da Vinci, a tríade de grandes mestres do Alto Renascimento.
Precoce, aos 17 anos, já era considerado um mestre, levando seu nome respeito e curiosidade em outras escolas da região, entrando, posteriormente, na famosa escola florentina.
Com 25 anos de idade, ainda forjando seu estilo, já conquistou a fama e os favores do papa, sendo desde essa época, chamado de "o Príncipe dos Pintores".
Em Florença, Rafael tornou-se amigo de vários pintores locais, destacando-se Fra Bartolomeo, um proponente do idealismo renascentista. A influência de Fra Bartolomeo o levou a abandonar o estilo suave e gracioso de Perugino e abraçar a grandiosidade e formas mais poderosas. Entretanto, a maior influência sobre a obra de Rafael durante seu período florentino veio de Leonardo da Vinci e suas composições, figuras e gestuais, bem como suas técnicas inovadoras como o chiaroscuro e o sfumato.
Rafael Sanzio era celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras. Fez uso das grandes inovações introduzidas na pintura do Renascimento, e de Da Vinci a partir de 1480: o chiaroscuro (claro-escuro), contraste de luz e sombra que empregou com moderação, e o sfumato (esfumado), sombreado levemente esbatido, em vez de traços, para delinear as formas. A influência de Michelangelo, patente na Pietà e na Madona do baldaquino, consistiu sobretudo na exploração das possibilidades expressivas da anatomia humana.
Sua imaginação era variada e fértil.
Seus trabalhos eram destinados a glorificar o poder da Igreja Romana através da justificação do Humanismo e do Neoplatonismo. Uma série de obras-primas, como a "Disputa" (ou "Discussão do Santíssimo Sacramento"), onde ele mostra uma visão celestial de Deus, seus profetas e apóstolos a encimar um conjunto de representantes da igreja, e equipara a vitória do catolicismo à afirmação da verdade. Outra obra de suma importância também é Escola de Atenas, uma alegoria complexa do conhecimento filosófico profano, pintados na Stanza della Segnatura, o tornou o artista mais procurado da cidade.
Discussão do Santíssimo Sacramento
Em "Escola de Atenas", ele mostra um grupo de filósofos de várias épocas históricas ao redor de Aristóteles e Platão, ilustrando a continuidade histórica do pensamento platônico.

Escola de Atenas
Após a morte de Júlio II, em 1513, a decoração dos aposentos pontifícios prosseguiu sob o novo papa, Leão X, até 1517. Apesar da grandiosidade do empreendimento, cujas últimas partes foram deixadas principalmente por conta de seus discípulos, Rafael, que então se tornara o pintor da moda, assumiu ao mesmo tempo numerosas outras tarefas: criou retratos, altares, cartões para tapeçarias - os chamados Cartões de Rafael, cenários teatrais e projetos arquitetônicos de construções profanas e igrejas como a de Sant'Eligio degli Orefici. Tamanho era seu prestígio que, segundo o biógrafo Giorgio Vasari, Leão X chegou a pensar em fazê-lo cardeal.
Era competente pesquisador interessado na antiguidade clássica, um de seus ofícios, também, era supervisionar e preservar as preciosas inscrições latinas em mármore. Dois anos depois, foi nomeado encarregado geral de todas as antiguidades romanas, para o que executou um mapa arqueológico da cidade.
Fez um exame detalhado da estrutura e dos elementos arquitetônicos do Panteão, como ninguém havia feito até aquele momento, o que també despertou nele seu viés artístico não apenas para pintura mas para arquitetura.
O primeiro trabalho arquitetônico conquistado por Rafael foi a posição de arquiteto da nova Basílica de São Pedro, cuja construção começou em 1506. A posição havia sido vagada pela morte de Bramante em 1514. Rafael mudou a planta de um desenho de inspiração grega para um design longitudinal. Contudo este projeto foi modificado novamente após sua morte.
Dois anos depois ele projetou as linhas da importante Villa Madama em Roma. Construída para o papa, era uma imitação das vilas que existiam por toda a Roma clássica e cuja descrição Rafael encontrou nos textos de Plínio o Velho.
Villa Madona – a mais antiga, foi projeto inacabado de Rafael, onde repete com muito cuidado aquilo que vinha descrito nos textos. O projecto original era majestoso e complexo, envolvendo uma ampla extensão de terreno que seria necessário graduar com uma sucessão de terraços, perspectivas renascentistas e jardins à italiana até o rio Tibre. Para a realização dos respectivos contrafortes também foi pedida a colaboração de Antonio da Sangallo, conhecido pelas suas capacidades técnicas nas fortificações.
A Villa Madama foi a primeira vila suburbanas segundo o modelo das vilas romanas, projectadas para festas e entretenimento, integrada com a natureza, arquitectura de veraneio, construidas em Roma no século XVI. Foi idealizada com a intenção de rivalizar com as descrições das vilas da Antiguidade, como a famosa descrição que Plínio fez da sua própria, e com as villas contemporâneas como a da Vila Farnesina.

O prestígio de Rafael até mesmo deu a sua obra um papel na criação e fortalecimento de alianças políticas, como no caso de trabalhos hoje em dia expostos no Museu do Louvre, que foram enviados à corte francesa, e o retrato de Lourenço de Médici para o partido florentino.
Rafael nunca se casou, ainda que algumas fontes afirmem que em 1514 ele estava noivo de Maria Bibbiena, sobrinha de um cardeal, mas o noivado terminou devido a morte prematura da jovem.
Diz a lenda que seu grande amor foi "Fornarina" (padeirinha), mas sua existência jamais foi confirmada. Segundo Vasari, a morte prematura de Rafael foi causada por excesso de amor.

sexta-feira, 16 de março de 2012

A arte de Sandro Botticelli - Dualidade mística

Sandro Botticelli é considerado por muitos o pintor mais notável da segunda metade do Século XV.

Aprendiz de Andréa del Verrochio da escola Florentina do Renascimento, suas pinturas são marcadas pelo cunho mitológico.

A escola Florentina do Renascimento compreende um grupo de pintores italianos influenciados pelo estilo naturalista desenvolvido na cidade de Florença. A arte da escola Florentina fundia elementos da arte bizantina com a arte paleocristã e com a arte romana, distanciando-se da chamada maiera greca, que dominava a Itália naquele tempo.

Protegido da família Medici, uma grande família da cidade-estado Toscana (na Itália), da qual dedicou diversos trabalhos como "Retrato de Giulliano de Medici" e "Adoração dos Magos", Botticelli recebeu referências filosóficas do neoplatonismo cristão nos círculos da corte de Lorenzo de Médici, que conciliava idéias cristãs com as clássicas.

Devido a esse contato com o mundo pré-cristão pintou cenas mitológicas como "A Primavera" e o "Nascimento de Vênus".

Como dito, o paganismo sob a ótica cristã é o que marca bastante seus trabalhos, embora hoje não há consenso na interpretação dessas pinturas.
O "Nascimento de Vênus" por exemplo, pode ser vista como fonte do amor divino, tanto do ponto de vista cristão quanto pagão. Na pintura, Venus é mostrada mas na posição típica da Virgem Maria.

Ele também estudou as esculturas da Antiguidade evoluindo posteriormente para a acentuação das formas decorativas e da atenção dispensada à harmonia linear do traçado e ao vigor e pureza do colorido. Suas obras tardias revelariam ainda um expressionismo trágico, de agitação visionária, fruto certamente da pregação de Savonarola.

Apesar do contato com o mundo pagão, sua devoção religiosa era considerada intensa e reconhecida.

Sob recomendação do Papa Sisto 4º, foi para Roma junto com Ghirlandaio, Luca Signorelli, Cosimo Rosselli e Perugino para decoração da Capela Sistina, onde realizou os afrescos "As provações de Moisés", "Os castigos dos Rebeldes" e "Tentação de Cristo".

Não foi a primeira vez que seus trabalhos eram usados em uma instituição religiosa, na adolescência trabalhou na casa de um ourives, na oficina de Fillipo Lippi, a quem teria ajudado nas decorações da Catedral de Prata.

Na temática religiosa destacam-se também São Sebastião (1473) e um afresco sobre Santo Agostinho.

Foi ainda destacado retratista, e seu talento excepcional de transpor para a linguagem formal as concepções de seus clientes tornou-o um dos pintores mais disputados de seu tempo. Sua reputação, alvo de um curto reavivar de interesse no século XVI, logo esvaiu-se, e somente com o reaparecimento de uma crescente curiosidade pelo Renascimento, registrada no século XIX, e, em particular, pela interpretação filosófica de suas obras, é que sua arte volta a adquirir o êxito e a fama que mantém até hoje.

Abaixo alguns de seus trabalhos, que mostram bem a dualidade mística (pagã e cristã) de Botticelli






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