Mostrando postagens com marcador Cristianismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cristianismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de maio de 2015

O Cristianismo no Japão - Parte 5 : As Razões da Perseguição

Embora nunca cheguemos a compreender plenamente as razões que levaram os poderosos Xoguns a proibir a prática e difusão da Fé Cristã, temos algumas pistas para entender melhor toda aquela terrível perseguição.

Em primeiro lugar, há o receio da anexação do país como colônia estrangeira, como ocorreu em vários (de fato, quase a totalidade) países asiáticos. Com certeza, as informações sobre esses fatos não eram do desconhecimento de Hideyoshi Toyotomi ou dos Xoguns do clã Tokugawa.

Em segundo lugar, e talvez a mais temida, é a mudança do comportamento de um cristão convertido: ele ama Deus acima de tudo e, portanto, procura ser fiel às Suas Palavras, o que significa ser contrário ao pecado e às injustiças, mesmo que estas venham do seu superior hierárquico... E o fiel cristão, tendo como meta a felicidade eterna, não teme o sofrimento nem a morte quão terríveis sejam. Esta atitude deve ter chocado de frente com a prática do bushi-do (caminho do samurai), onde o subordinado muitas vezes era obrigado a se sacrificar pelo seu superior, numa atitude idolátrica...

Segundo história, Hideyoshi, visitando Hakata, hospedou-se no palácio do “daimyo” Cristão Arima e, ao 'escolher' as belas jovens para passarem a noite com ele, teve a recusa de todas, cristãs, que preferiram manter a pureza à dar-se ao poderoso deste mundo. Isto o preocupou sobremaneira, pois o fato das “simples” mulheres recusarem o maior mandatário do país num ambiente extremamente machista, era para ele um absurdo.

Nossa Senhora do Japão

Assim como Cristo foi crucificado pelo temor dos 'poderosos' de Israel que se sentiram ameaçados pelas Suas mensagens de paz, caridade e fraternidade, os “poderosos” japoneses que viviam numa sociedade extremamente classista e injusta, sentiram ameaçados pelo Seu apelo de um mundo mais humano, justo e digno.

Hoje, os verdadeiros cristãos sentem o mesmo peso e ameaça de um mundo igualmente injusto e excludente, apesar de todo o progresso tecnológico alcançado pela humanidade, pois esta tecnologia que, ao mesmo tempo em que possibilita a democratização do conhecimento, pode se tornar o grande meio de controlar o povo e afastá-lo do caminho da felicidade eterna.

 Precisamos refletir mais que nunca os exemplos daqueles que viveram a fé até às últimas conseqüências e convertermo-nos cada vez mais, a fim de alcançarmos a verdadeira meta da criatura humana, isto é, sermos co-herdeiros do Reino de Deus e participantes da natureza divina, não pelo nosso mérito, mas unicamente pelo mérito de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Redentor.

Fonte

O Cristianismo no Japão - Parte 4 : O Trabalho Missionário e Cronologia

 Eis algumas descrições do trabalho missionário no começo do século XX:

Duas obras de grande importância foram estabelecidas pelos missionários, o hospital de leprosos em Gotemba, fundado por M. Testewaide e um outro em Kumamoto por M. Corre. Os missionários foram logo seguidos por numerosos e valorosos assistentes.

Em 1873 vieram as Dames de St-Maur. Fundaram inicialmente um orfanato em Yokohama, e um outro em Tóquio em 1875; mais de 700 pessoas eram assistidas ao mesmo tempo. Atualmente possuem um orfanato e três escolas, uma delas em Shizuoka, para nível médio, e um curso de língua estrangeira e de artes para nível superior, com 180 alunos.

Em 1877 vieram as Filhas do Menino Jesus de Chauffailles. Elas possuem orfanatos e escolas particulares em Osaka, Kobe, Kyoto, Nagasaki e Okayama. As Filhas de S. Paulo de Chartres vieram em 1878; possuem escola primária e internato em Hakodate, Tóquio, Sendai, Morioka e Yatsushiro, com mais de 800 alunos.

Em 1888 os Padres Marianistas se estabeleceram em Tóquio. O seu progresso foi lento e laborioso, porém ininterrupto. Possuem atualmente escola primária e secundária com 802 alunos, dos quais 71 são Católicos e 29 catecúmenos; e um curso de língua estrangeira para adultos com 100 alunos. Destes 802 alunos, 140 são filhos de generais, almirantes, oficiais superiores, embaixadores, ministros, cônsules, deputados e senadores. Há 19 professores europeus e 26 japoneses. Cinco padres marianistas conduziam cursos na universidade, na escola da nobreza, na escola de cadetes, e escola militar. Além disso possuíam em 1893 uma escola comercial com 380 alunos em Nagasaki; outra em Osaka em 1898 com 498 alunos; em Yokohama (1902) uma escola primária com cursos comerciais para estrangeiros e eurasianos de todas as nacionalidades, com 120 alunos. Em todas estas escolas, a caridade, o zelo, a amizade e o esporte florescem. Os religiosos nativos são solicitados principalmente entre os antigos Cristãos de Kyushu e para atendê-los foi construída uma casa em Urakami no ano de 1910.

Em 1896 os Trapistas de quatro nacionalidades diferentes vieram a Hokkaido. No período de doze anos, limparam uma área de 1000 acres dos quais 620 se tornaram produtivas e formaram uma colônia com mais de 100 pessoas.

As religiosas da mesma Ordem vieram da França em 1898. O início foi penoso, mas hoje não têm dificuldades em recrutar pessoas dentre os velhos Cristãos de Nagasaki. Estão engajadas na indústria de queijo e apesar do tropeço inicial têm progredido muito.

Em 1905 toda a ilha de Shikoku foi entregue aos Dominicanos espanhóis. Esta é a quinta divisão eclesiástica do Japão, com 300 membros.

Os franciscanos  retornaram em 1906. Estão em Sapporo e Hakodate, e são em 9: cinco alemães, 2 canadenses e um francês engajados em ensinar línguas e ministério.

Os padres da Palavra Divina de Steyl vieram em 1907. Consistiam de sete alemães e um austríaco.  Lecionam alemão, inglês, francês e chinês, e pregam o Evangelho.

Em primeiro de janeiro de 1908, 12 religiosos do Sagrado Coração, ingleses, belgas e franceses, abriram uma casa de ensino superior em Tóquio.

No dia primeiro de julho as cinco Servas do Espírito Santo da Alemanha e Áustria vieram a Akita, onde possuem um jardim da infância, internato, escola de corte e costura e línguas alemã e francesa.

Em primeiro de setembro chegaram as irmãs franciscanas da França, México e Itália a Sapporo, onde estabeleceram escolas de costura e bordados, de economia doméstica, e um dispensário. As irmãs da mesma Congregação cuidam de um leprosário em Kumamoto.

Finalmente em 17 de outubro três padres Jesuítas inglês, alemão e francês se estabeleceram em Tóquio para criação de escola de Educação superior e jornalismo.

Assim a Igreja Católica una na fé, com os seus corpos religiosos de todo o país e de todas as Congregações possui no Japão um caráter verdadeiramente universal.

Monumento aos 26 Mártires erigido no local do martírio em Nagasaki.

Cronologia

1549 – Francisco Xavier chega ao Japão.

1551 – Francisco Xavier deixa o Japão.

1573 – Nobunaga Oda depõe o xogunato Ashikaga e inicia a era Azuchi Momoyama.

1576 - A fé Católica é reconhecida pelo governo central. Construção das primeiras igrejas.

1582 – Envio de mensageiros japoneses ao Vaticano. Oda é traído e morto, assume Hideyoshi Toyotomi.

1587 – O Cristianismo é proibido, porém, somente no papel.

1590 – Retorno dos mensageiros ao Vaticano e introdução da imprensa gráfica.

1591 – Publicação de “Heike Monogatari” e “Doutrina Cristã” em Amakusa.

1593 – Chegada dos Franciscanos e o início dos atritos com os Jesuítas.

1596 – Nova perseguição aos Cristãos.

1597 – Martírio dos 26 Cristãos em Nagasaki.

1598 – Morre Toyotomi.

1600 – Batalha de Sekigahara e derrota dos aliados de Toyotomi.

1603 – Ieyasu Tokugawa inicia o xogunato – Era Edo.

1609 – Início do comércio com a Holanda.

1612 – O Cristianismo é colocado fora-da-lei.

1613 - Masamune Date envia um representante ao Papa Paulo V.

1614 – Expulsão de 148 Cristãos para a Manila e Macau, entre eles, Ukon Takayama.

1616 – Morte de Ieyasu e a ascensão de Hidetaka.

1623 – Morte de Hidetaka e a ascensão de Iemitsu. Acirramento da perseguição aos Cristãos.

1638 – Revolta de Shimabara e expulsão dos portugueses.

1639 – Fechamento dos portos japoneses.

1640 – Instituição oficial da Inquisição.

1664 – O governo ordena a conversão e o cadastramento da população nos templos budistas.

1792 – Fim da Inquisição.

1865 - Reaparecimento dos Cristãos ocultos que se apresentam ao Padre Petitjean no dia 17 de março, em Nagasaki.

1867 - Recomeço da perseguição: milhares de cristãos são torturados e exilados.

1873 – Reconhecimento do Cristianismo.

1889 - Reconhecimento da liberdade religiosa na Constituição.

O Cristianismo no Japão - Parte 3 : Perseguições e Resistência

Em 5 de fevereiro de 1597, vinte e seis Cristãos, após caminharem de Osaka a Nagasaki (cerca de 800 km), foram crucificados, mostrando na oportunidade a coragem e alegria na fé cristã, pregando e cantando até o fim.

Após a morte de Hideyoshi a paz reinou durante quinze anos. Os cristãos se multiplicavam e a Fé se manifestava em grandes frutos: 130 Jesuítas, alguns sacerdotes seculares, e cerca de 30 religiosos das ordens de S. Francisco, S. Domingos e Sto. Agostinho trabalhavam lado a lado.

Em 1609 e em 1613 chegaram os protestantes holandeses e ingleses inimigos dos Católicos portugueses e espanhóis. Em 1613 a perseguição recomeçou. Naquele ano o nobre de Sendai, Masamune Date, enviou Rokuemon Asakura como embaixador ao Papa Paulo V e ao Rei da Espanha, na companhia do franciscano Sotero.

No ano seguinte foi publicado o edito de destruição pelo novo Xogun do império, Ieyassu Tokugawa. Foi decretado que o catolicismo deveria ser abolido e o mesmo foi renovado pelo seu sucessor Hidetaka em 1616.

A conseqüência foi terrível. Em 1622 aconteceu o "grande martírio" de 42 Cristãos a 2 de setembro em Nagasaki, dos quais 27 decapitados e o restante queimados. No ano seguinte, sob Iemitsu, a perseguição se tornou mais furiosa e se estendeu por todo o império.

A crueldade e o refinamento das torturas deste período não têm paralelo nem mesmo na história dos primeiros tempos do Cristianismo. O número exato das vítimas é desconhecido. (Cerca de 280000 martírios entre 1614 e 1735, segundo Kiyoshi Inoue no seu livro "A História do Japão"). Na província de Arima, em 1637, 37000 Cristãos, pressionados ao extremo, se revoltaram e se fecharam na fortaleza de Shimabara, sob a liderança de um jovem de 16 anos chamado Tokisada Konishi, mais conhecido como Amakusa Shiro, e foram dizimados com a ajuda da artilharia holandesa no dia 28 de fevereiro, não sendo poupados nem um bebê de um ano de idade nem a sua mãe...

Estandarte usada por Amakusa Shiro e seus companheiros em Shimabara. Lê-se em português: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".

Em 1640 quatro embaixadores portugueses vindos de Macau a Nagasaki foram pressionados a se apostatarem e, ao se recusarem, foram mortos. Treze de seus subordinados foram devolvidos a Macau com a advertência de que "... Enquanto o sol aquecer a terra, nenhum Cristão ousará entrar no Japão. Que todos saibam. Nem mesmo o Rei da Espanha, ou Deus dos Cristãos, nem o próprio Shaka (Buda), aquele que desobedecer esta proibição pagará com a sua cabeça."

Assim o Japão permaneceu fechado por dois séculos, durante os quais a perseguição continuou no seu interior. Um prêmio era colocado à cabeça dos Cristãos estrangeiros e nativos. Cada ano a população era chamada para calcar o seu pé sobre a imagem de Cristo e da Nossa Senhora gravada em placa de bronze (fumiê) confeccionada com material retirado das antigas igrejas.

Nesta época somente alguns mercadores holandeses eram permitidos a permanecer no Japão, confinados como prisioneiros na ilha de Dejima em Nagasaki, a fim de manter o comércio com os japoneses.

Em 1642 cinco Jesuítas que se infiltraram em segredo foram mortos após torturas horrendas. Foram seguidos em 1643 por cinco outros com o mesmo destino, e, uma tentativa por parte dos Dominicanos de Filipinas em 1647 não teve melhor sorte.

Se foram feitas outras tentativas não sabemos. A última tentativa conhecida é a de Abbé Sidotti, um missionário italiano que, em 1708, chegou ao Japão sozinho, com idade de 40 anos. Levado ao governador de Nagasaki, foi ali interrogado e a mando do Xogun, conduzido a Edo (Tóquio) onde foi condenado à prisão perpétua no local que ainda é denominado "Christian Zaka" (a Ladeira dos Cristãos). Enquanto esteve prisioneiro, converteu e batizou dois carcereiros e faleceu após cinco anos de cativeiro em 1715. O erudito Hakuseki Arai, intérprete do governo no caso Sidotti, escreveu a sua história (Seiyou Kibun - A História Ocidental) que foi publicada na obra "Missions Catholiques"  em 1884.

Entretanto, apesar da perseguição, alguns sinais vagos e esporádicos indicavam que nem todo o Cristão do Japão havia desaparecido. Os missionários coreanos tentaram muitas vezes confirmá-los sem sucesso, pois desde 1838 era impossível  penetrar o "império misterioso" de quaisquer dos lados.

O interesse na missão japonesa, no entanto, continuou a crescer, e, em abril de 1844 Padre Forcade foi enviado ao Japão como missionário. Ele permaneceu nas ilhas de Okinawa com o catequista chinês Ko. Foi seguido pelos Padres Leturdu, Adfnet, Furet, Murmet, Gerard e Mounicou da Société des Missions Etrangères (Sociedade das Missões Estrangeiras) de Paris. Aguardaram por catorze anos em Okinawa e em Hong Kong, procurando todos os meios de alcançar as ilhas principais. Durante estes anos de espera e de sofrimento, batizaram dois japoneses. Finalmente em 8 de outubro de 1858 foi assinado um tratado entre a França e o Japão e ratificado em 22 de setembro de 1859. Os missionários estavam livres para residir em portos livres e terem igrejas para o serviço dos estrangeiros.

Padre Girard foi nomeado provisoriamente Superior da missão e para a ratificação do tratado foi a Edo como intérprete com o Cônsul Geral, de Bellecourt.

Os três portos livres de Hakodate, Yokohama e Nagasaki foram logo ocupados. Os trabalhos e a permanência nestes locais eram difíceis pois o preconceito e hostilidades aos estrangeiros ainda não havia desaparecido no país. Padre Mermet construiu uma casa e uma igreja em Hakodate e Padre Furet fez o mesmo em Nagasaki. No início ensinavam Francês para fazer amizade com os habitantes e preparar o  futuro.

Em 17 de março de 1865, houve na nova igreja de Nagasaki um acontecimento memorável: quinze Cristãos se apresentaram ao Padre Bernard-Thadée Petitjean, assegurando-lhe que havia muitos outros, cerca de 50.000 ao todo. É fácil imaginar a alegria que acompanhou esta descoberta após mais de dois séculos de espera e paciência. Havia três características com os quais estes descendentes dos mártires reconheceram os novos missionários como os sucessores dos seus antigos padres: a autoridade do Papa de Roma, a veneração à Bem-Aventurada Virgem e o celibato do clero. No ano seguinte (1866) Padre Petitjean foi nomeado Vigário Apostólico do Japão.

O ardor extremo renovado dos Cristãos atraiu a atenção e estimulou o velho ódio. Em julho de 1867, recomeçou a perseguição. 40.000 fiéis de Urakami, próxima à Nagasaki foram exilados para várias províncias. A mesma prescrição foi estendida a outras cidades, e em todo o lugar a opção dada aos Cristãos era a apostasia ou o exílio, e a grande maioria confirmou a sua fé. Não houve derramamento de sangue, mas os tribunais foram severos. Cerca de um terço dos exilados morreram no exílio ou não regressaram. Em março de 1873, enquanto a embaixada do governo japonês viajava pela Europa, os exilados foram restituídos às suas casas e a perseguição cessou para dar lugar à tolerância. Daí em diante o governo permaneceu silencioso em relação à religião desde que se mantivesse a ordem pública. Em maio de 1876 o Japão foi dividido em dois Vicariatos Apostólicos, sul e norte; Monsenhor Petitjean foi indicado Vigário Apostólico do sul e Monsenhor Osouf, do norte.

Por volta de 1878 foram permitidos aos missionários  viajar mais de dez léguas do porto ao interior do país por meio de passaportes oficiais. Mais tarde alguns deles se tornaram itinerantes e por meio deles o Evangelho foi pregado e difundido com sucesso admirável em quase todas as cidades e vilas num espaço de quinze anos. Os preconceitos diminuíram, e as conversões se multiplicavam, e as opiniões se inclinavam para a liberdade religiosa.

Em 11 de agosto de 1885, uma carta do Papa Leão XIII ao Imperador do Japão foi recebida com grande honra, e em 18 de dezembro do mesmo ano, um representante do imperador assistiu respeitosamente à cerimônia fúnebre de Afonso XII, Rei da Espanha. Em março de 1888, foi criado o Vicariato Apostólico da região central do Japão, com Monsenhor Midon como o seu Vigário.  Finalmente em 11 de fevereiro de 1889, veio a promulgação da nova Constituição do império e o autêntico reconhecimento da liberdade religiosa.  No ano seguinte, no vigésimo quinto aniversário da descoberta dos Cristãos, foi realizado o primeiro sínodo dos Bispos em Nagasaki. Durante seis semanas aconteceram festividades incomparáveis em que a Igreja do Japão celebrou com arrebatamento de alegria e gratidão o milagre da sua ressurreição.

Em abril de 1891, foi criado o Vicariato de Hakodate com o Monsenhor Berlioz como o seu Vigário. Em 15 de junho do mesmo ano a hierarquia eclesiástica foi estabelecida com um Arcebispo de Tóquio e três sufragâneos, a saber, os Bispos de Nagasaki, Osaka e Hakodate.

Com a chegada da liberdade religiosa, o zelo dos japoneses para a religião decresceu e as conversões se tornaram menos freqüentes. Porém, a educação Católica, benevolente, e trabalhos humanísticos se desenvolveram e cresceram sem oposição, e mais, o progresso numérico nunca se interrompeu. Em 1860 havia dois missionários no Japão; em 1870, um Vigário Apostólico, 40 missionários, 27 religiosas (irmãs), e 23000 Cristãos; em 1890, 79 missionários, 15 sacerdotes locais, 27 Marianistas, 59 irmãs, e 42387 Cristãos; em 1900, 1 Arcebispo e 3 Bispos, 115 missionários, 32 sacerdotes locais, 62694 Cristãos, 93 religiosos e 389 religiosas (estrangeiras e locais).

A imprensa escrita acompanhou a pregação oral. Uma revista Católica, "Kyoto Bambo", fundada em 1881, que continuou sob vários nomes, explicava a religião, respondia a perguntas e fornecia notícias de interesse para os Cristãos. Quase tudo que é relevante à vida, educação, filosofia e teologia Cristã eram tratados em mais de cem trabalhos. Vários trabalhos menores e dois imensos dicionários para o estudo da língua japonesa foram também publicados pelos missionários.

O Cristianismo no Japão - Parte 2 : Breve História do Cristianismo no Japão

Cidade de Tsuwano, um dos locais visitados por S. Francisco Xavier e um dos destinos de exílio da última perseguição aos Cristãos.

S. Francisco Xavier chegou ao porto de Kagoshima, na ilha de Kyushu, Japão, em 15 de agosto de 1549, dia de Assunção de Nossa Senhora, com dois companheiros e três neófitos. Pela coragem da sua pregação, a sua santidade e os seus milagres, renovou as maravilhas da era apostólica. Pregou em Hirado, Yamaguchi, Bungo e Funai, porém não conseguiu encontrar-se com o Imperador nem adentrar Miyako (atual Kyoto), a residência imperial. Ele partiu para a China em 20 de novembro de 1551. Havia no Japão, então 3000 fiéis, sendo o regime feudal favorável à evangelização. Ordinariamente, quando um senhor feudal se convertia, grande parte dos seus vassalos também o seguia.

O xogun Nobunaga Oda, terrível inimigo dos sacerdotes budistas se simpatizou com os Cristãos e se tornou amigo dos missionários. Quando ele foi morto, havia no país mais de 200.000 fiéis e 250 igrejas.

Os três príncipes de Bungo, Arima e Omura enviaram uma embaixada à Europa em 20 de fevereiro de 1582 que alcançou Lisboa em 10 de maio de 1584, e Roma em 23 de março de 1585. Os embaixadores presenciaram a coroação do Sixto V e receberam os títulos de cavaleiros e de nobreza.

Hideyoshi Toyotomi, sucessor de Nobunaga, a princípio favoreceu os Cristãos, mas instigado pelos budistas, se convenceu que os missionários eram espiões das nações imperialistas e lançou o edito de prescrição da religião Cristã em julho de 1587, embora ainda não partisse de fato para a perseguição.

Os missionários então se ocultaram e, ao longo de 10 anos batizaram mais 65.000 pessoas totalizando 300.000 fiéis e 134 religiosos (1597). Em 1593 três Franciscanos foram enviados pelo Rei da Espanha, sendo bem acolhidos por Hideyoshi.

Entretanto, houve, logo a seguir, o incidente "San Felipe": um galeão espanhol ao naufragar próximo de Tosa, teve as suas cargas confiscadas pelo governo japonês, e, num acesso de raiva, o seu capitão disse que os missionários estavam preparando o caminho para a conquista do país.

A partir daí Hideyoshi se tornou mais cauteloso e irado contra os Cristãos, e em 9 de dezembro de 1596, nove religiosos foram presos e forçados a relacionar os nomes dos Cristãos japoneses. Todos se prontificaram a dar a vida pela Fé.

Fonte



O Cristianismo no Japão - Parte 1 : Os Mártires Cristãos no Japão

Não há em toda a história da Igreja um povo merecedor de tamanha admiração nos anais do tão glorioso Mundo Cristão, nem um martirológio tão extenso quanto o povo da terra do sol nascente.

Em janeiro de 1552, S. Francisco Xavier descreveu o espírito proselitista dos primeiros neófitos. “Eu os vi, escreveu ele, regozijarem-se do nosso êxito, manifestando um zelo ardente na pregação da fé e no batismo aos pagãos que se convertiam”. Ele anteviu também os obstáculos que estancaria o progresso da fé em certas províncias, o absolutismo deste ou daquele “daimyo” (senhor feudal), uma classe da elite guerreira muito independente do Mikado (Imperador) e em revolta com a sua autoridade suprema. De fato, na província de Hirado, onde se converteram centenas de fiéis, e onde seis anos mais tarde mais de 600 pagãos seriam batizados em três dias, uma mulher Cristã (a protomártir) foi decapitada por orar diante da cruz.

Em 1561 o “daimyo” local forçou os Cristãos a abjurarem da fé, “porém eles preferiram abandonar todas as suas posses e viver em Bungo, pobres com Cristo, que ricos sem Ele”, escreveu um missionário em 11 de outubro de 1562.

Sob o xogunato de Yoshiaki, Nobunaga Oda, apoiado por Koremasa Wada, um Cristão, subjugou grande parte das províncias e restaurou a unidade da monarquia, realizando aquilo que S. Francisco Xavier havia desejado.

Em Miyako (atual Kyoto) a fé foi reconhecida e uma igreja construída em 15 de agosto de 1576. Mais tarde a Igreja continuou a se espalhar sem oposição notável, e os “daimyo” seguiam a liderança do Mikado (Oguimachi, 1558~1586) e Nobunaga Oda. A tolerância e o favorecimento da autoridade central impulsionou a difusão da religião Cristã e, desta época, apenas casos isolados de martírio são conhecidos.

São Francisco Xavier
Somente em 1587, quando já havia 200.000 Cristãos no Japão, foi promulgado um edito de perseguição, ou melhor, de prescrição, por Hideyoshi Toyotomi, diante da surpresa de todos. Hideyoshi fora instigado por um intolerante sacerdote budista chamado Nichijoshonin zeloso pela religião da sua raça e também se impressionado com a inflexibilidade do Daimyo Cristão Ukon Takayama e Pe. Coelho que se recusaram a abandonar a fé cristã para seguirem-no como seu soberano. Vinte e seis residências e 140 igrejas foram destruídas; os missionários condenados ao exílio, porém estes foram suficientemente astutos para se esconderem ou se dispersarem. Eles nunca duvidaram da fidelidade e constância dos seus convertidos; os assistiam em segredo e em dez anos houve outros 100000 convertidos. Conhecemos desta época dois martírios, um em Takata e outro em Notsuhara; porém muitos outros Cristãos foram despojados de seus bens e reduzidos à pobreza.

 A primeira perseguição sangrenta data de 1597, e é atribuída a duas causas:

  1. Quatro anos antes, alguns religiosos de Castela, Espanha, chegaram de Filipinas e, apesar da decisão da Santa Sé, a par da situação delicada criada pelo edito, se juntaram a 130 Jesuítas que agiam com grande precaução. Muito embora tivessem recebido toda a admoestação caridosa, eles se colocaram a trabalhar de forma muito indiscreta, e violaram os termos do edito mesmo na própria capital;
  2. Uma caravela de Castela apanhada pela tempestade na costa do Japão foi confiscada sob as leis então vigentes. Algumas artilharias foram encontradas nela e as suscetibilidades japonesas foram excitadas ainda mais pelas mentiras do capitão, de tal modo que se espalhou a idéia de que os Castelhanos estavam planejando anexar o país.

Foi elaborada uma lista de todos os Cristãos em Miyako e Osaka, e em 5 de fevereiro de 1597, 26 Cristãos, dentre eles seis missionários franciscanos, foram crucificados em Nagasaki. Entre os 20 Cristãos nativos havia garotos de 15, 13 e 12 anos.

“O fruto surpreendente do sacrifício generoso de vossos 26 mártires” (escreveu um missionário Jesuíta) “é que os Cristãos recém-convertidos e outros de fé madura foram confirmados na fé e esperança da salvação eterna; eles se decidiram a dar as suas vidas em nome de Cristo. Os próprios pagãos que assistiram ao martírio foram tocados ao contemplar a alegria daqueles bem-aventurados que sofriam nas suas cruzes e a coragem com que enfrentaram a morte”. Dez anos antes, este mesmo missionário havia profetizado que “da coragem do povo japonês, auxiliada pela graça de Deus, se espera que a perseguição inaugure uma corrida ao martírio”.

De fato, os costumes nacionais e religiosos daquele povo predispunham-nos a sacrificar as suas vidas com um fatalismo singular; em alguns de seus costumes estabelecidos, como o suicídio religioso, o “hara-kiri”, desenvolveram uma expectativa à morte; porém se a graça não destrói a natureza, ela a exalta, e a sua fervorosa caridade e o amor ao Cristo levavam os neófitos japoneses a exageros que os missionários tinham que refrear.  Quando este amor a Cristo se consolidou no meio do sofrimento escolhido livremente, tornou-se mais fácil para os fiéis darem ao Salvador a máxima prova do amor sacrificando as suas vidas numa morte cruel em Seu Santo Nome. “As cinqüenta cruzes, ordenadas para a montanha sagrada de Nagasaki, multiplicadas por dez ou cem, não foram suficientes”, escreveu um missionário, “por causa de todos os fiéis que desejavam o martírio”.

As associações (kumi) eram formadas sob o patrocínio da Bem-Aventurada Virgem com o objetivo de preparar os membros pela oração e mortificação até o sangue, para estarem prontos para sacrificar as suas vidas pela fé. Após a perseguição de 1597, houve casos isolados de martírio até 1614, que totalizaram cerca de 70.

Os reinados de Ieyasu Tokugawa, mais conhecidos nos anais Cristãos como Daifusama, e os seus sucessores Hidetaka e Iemitsu, foram os mais implacáveis.

Não temos ainda a informação clara e exata das causas que levaram àquelas perseguições que duraram por mais de três séculos com alguns breves intervalos de paz. 


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Idade Média e Revolução Científica por James Hannam


Poucos temas são tão abertos ao mal-entendido como a relação entre fé e razão. O confronto contínuo do criacionismo com evolução obscurece o fato de que o cristianismo, na verdade, teve um papel muito mais positivo a desempenhar na história da ciência do que comumente se acredita. Na verdade, muitos dos alegados exemplos de religião travar o progresso científico são falsos. Por exemplo, a Igreja nunca ensinou que a Terra é plana e, na Idade Média, ninguém pensava assim. Papas não tentaram proibir o zero, dissecação humana ou pára-raios, muito menos excomungaran o cometa Halley. Ninguém, tenho o prazer de dizer, foi queimado na fogueira por idéias científicas. No entanto, todas essas histórias são ainda defendidas regularmente como exemplos de intransigência clerical em face do progresso científico.

É certo que, Galileu foi levado a julgamento por afirmar que é um fato que a Terra gira em torno do sol, ao invés de apenas uma hipótese como a Igreja Católica exigia. Ainda assim, os historiadores descobriram que até mesmo seu julgamento foi mais um caso de egoísmo papal do que conservadorismo científico. Dificilmente merece a ofuscar todo o apoio que a Igreja tem dado à investigação científica ao longo dos séculos.

Esse apoio levou várias formas. Um deles foi simplesmente financeira. Até a Revolução Francesa, a Igreja Católica foi a principal patrocinadora da pesquisa científica. A partir da Idade Média, ela pagou por padres, monges e frades para estudar nas universidades. A igreja ainda insistiu que a ciência e matemática devem ser uma parte obrigatória do currículo. E depois de algum debate, aceitou que a filosofia natural grega e árabe foram ferramentas essenciais para a defesa da fé. Por volta do século XVII, a ordem dos jesuítas havia se tornado a organização científica líder na Europa, publicando milhares de documentos e difundindo novas descobertas em todo o mundo. As próprias catedrais foram projetadas para também serem observatórios astronômicos para permitir a determinação cada vez mais precisa do calendário. E, claro, a genética moderna foi fundada por um abade trabalhando com ervilhas no jardim monástico.

Mas o apoio religioso para a ciência tomou formas mais profundas também. Foi só no século XIX que a ciência começou a ter qualquer aplicação prática. A tecnologia tinha aberto seu próprio caminho até a década de 1830, quando a indústria química alemã começou a empregar seus primeiros doutorados. Antes disso, a única razão para estudar a ciência era curiosidade ou piedade religiosa. Os cristãos acreditam que Deus criou o universo e determinou as leis da natureza. Estudar o mundo natural era admirar a obra de Deus. Isto poderia ser um dever religioso e inspirar a ciência quando havia poucas outras razões para se preocupar com isso. Foi a fé que levou Copérnico a rejeitar o universo ptolomaico; que levou Johannes Kepler a descobrir a constituição do sistema solar; e que convenceu James Clerk Maxwell a que pudesse reduzir o eletromagnetismo a um conjunto de equações tão elegantes.

Dado que a Igreja não tem sido um inimigo para a ciência, é menos surpreendente descobrir que a era que estava mais dominada pela fé cristã, a Idade Média, foi um momento de inovação e progresso. Invenções como o relógio mecânico, vidros, impressão e contabilidade entraram em cena no período medieval tardio. No campo da física, os estudiosos descobriram teorias medievais sobre movimento acelerado, a rotação da Terra e da inércia incorporada nas obras de Copérnico e Galileu. Mesmo a chamada “idade das trevas”, nos anos 500 a 1000, eram realmente um tempo de antecedência após a calha que se seguiu à queda de Roma. A produtividade agrícola aumentou com o uso de arados pesados, colares de cavalo, a rotação de culturas e moinhos de água, levando a um rápido aumento da população.

Foi somente durante a “Iluminismo” que começou a se propagar a falsa ideia de que o cristianismo tinha sido um sério obstáculo para a ciência. Voltaire e seus companheiros filósofos se opunham à Igreja Católica por causa de sua estreita associação com a monarquia absoluta da França. Acusar os clérigos de deter o desenvolvimento científico foi uma forma segura de fazer um ponto político. Os porretes foram posteriormente retomados por TH Huxley, o buldogue de Darwin, em sua luta para a livrar a ciência de qualquer tipo de influência clerical. O criacionismo fez o resto do trabalho em convencer o público de que o cristianismo e a ciência estão fadados ao antagonismo perpétuo.

No entanto, atualmente, a ciência e a religião são as duas forças intelectuais mais poderosas do planeta. Ambas são capazes de fazer um bem enorme, mas suas chances de fazê-lo são muito maiores se puderem trabalhar juntas. A atribuição do Prémio Templeton para Lord Rees é um pequeno passo na direção certa.

James Hannam
PhD em História e Filosofia da Ciência da Universidade de Cambridge e é o autor de A Gênese da Ciência: Como a Idade Média cristã lançou a Revolução Científica (publicado no Reino Unido como Filósofos de Deus: Como o Mundo Medieval lançou as bases da ciência moderna).

O Gênese da Ciência:
Como a Idade Média cristã lançou a Revolução Científica está disponível agora.
Finalista do Prêmio Livro da Ciência da Royal Society
“Bem-pesquisado e extremamente agradável”. -New Scientist
“A jornada do espírito através de séculos de desenvolvimento científico… capta a maravilha do mundo medieval, sua curiosidade inspiradora e sua força engajadora”. – Sunday Times
“Este livro contém muito material valioso resumido com louvável clareza… James Hannam tem feito um bom trabalho de derrubar uma caricatura da época.” Sunday Telegraph
Fonte: http://blogs.nature.com/soapboxscience/2011/05/18/science-owes-much-to-both-christianity-and-the-middle-ages
Tradução: Emerson de Oliveira
Postagem original: A ciência deve muito ao Cristianismo e a Idade Média

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Da Zombaria ao Martírio

Porfírios

Porfírios era famoso por suas peças de escárnio ao Cristianismo. Certa vez, ele apresentava uma peça, na qual parodiava o Batismo Cristão. Na platéia estava o Imperador Juliano o Apóstata e sua comitiva.
Em certa cena, Porfírio adentrava em uma espécie de pia batismal, mergulhando triplamente e nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ao se erguer , proclamou solenemente a todos :"Agora sou um cristão!".
Seguiram-se gargalhadas, na expectativa de que logo viesse uma fala ou cena de ridicularização sobre o "novo estado" do personagem, mas ocorreu que o tom da atuação mudou.
Porfírios começou a clamar a todos as luzes libertadores da fé em Cristo.
Perplexa, a audiência ainda aguardava uma reviravolta na peça, até que Porfírios começou a denunciar com veemência os crimes do imperador, as marcas de sua idolatria.
Porfírios foi preso, e submetido a tortura confessou a fé sem titubear, mesmo diante dos mais terríveis sofrimentos físicos. Por fim foi decapitado.

Ardalion
O Santo Mártir Ardalion aceitou a morte de Cristo, sob o Imperador Maximiano Galério (305-311).
São Ardalion era um talentoso mímico.
Uma vez no circo ele interpretava um cristão que estava sob a tentação de apostatar e nisso ofertar sacrifícios aos ídolos. . O ator então fazia o papel de um homem que após relutar, acabava por consentir a renunciar a Cristo.
Ao longo do curso da representação, ele fingia estar submetido a um mecanismo de tortura , que o prendia com ganchos de ferro. Ele representou com tão real sofrimento, que os espectadores ficaram encantados e o aclamaram pelo valor da sua capacidade artística.
Ao fim do quadro da tortura, Ardalion pediu para que todos silenciassem. Ele então declarou que era um cristão e que não renunciaria ao Senhor.
Assistindo a peça, o governador da cidade tentou explicar o assunto aos que estavam junto com ele, argumentando que Ardalion continuava a representar, e que no final do show ele iria voltar a escarnecer do Cristo e oferecer sacrifícios aos deuses. Mas Ardalion continuou até o fim da peça a confessar sua fé em Cristo.
Ao fim da peça o governador deu ordens para tortura Ardalion com ferros em brasa. Submetido a todas as dores, morreu confessando Cristo como seu Senhor e seu Deus.
Foi assim que São Ardalion merecem coroa de mártir.

Gelásio

Coisa semelhante aconteceu com o comediante Gelásio , que viveu provavelmente no tempo de Diocleciano. Gelásio parodiava a Divina Liturgia cristã diante de uma multidão de pagãos, divertindo-os com os seus escárnios e citações mordazes. Subitamente contudo, ele silenciou toda atitude desrespeitosa e clamou diante do povo: `` Eu acredito, e eu desejo de ser batizado''
Como primeira reação, os espectadores identificaram suas palavras como parte de sua farsa, mas ele repetiu a sua declaração de fé em Cristo. Após o fim da peça, Gelásio permaneceu firme em sua nova fé, sendo então denunciado como cristão. Ao ser interrogado em um tribunal e diante do próprio imperador, ele foi torturado, mas sem deixar de confessar Cristo, até a sua morte.
Então, também este zombador de Cristo tornou-se um mártir por Cristo.

Postagem completa no Cetro Real

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Considerações sobre a Terra Plana



Desde o princípio, mesmo por termos bíblicos, os cristãos em sua maioria sabiam que a terra era redonda ou geoide. Durante a Idade Média, praticamente todos os estudiosos defendiam o ponto de vista esférico como era expresso pelos gregos antigos. Pelo menos desde o século 14, a crença em uma Terra plana entre os educados era quase inexistente, apesar de representações fantasiosas em arte, como o exterior do famoso tríptico de Hieronymus Bosch, O Jardim das Delícias Terrenas, em que uma Terra em forma de disco é mostrada flutuando dentro de uma esfera transparente. De acordo com Stephen Jay Gould, “nunca houve um período de ‘que a terra fosse plana’ entre os estudiosos (independentemente de como o público em geral pode ter conceituada nosso planeta tanto naquela época quanto agora). O conhecimento grego da esfericidade nunca desapareceu, e todos os principais estudiosos medievais aceitavam a redondeza da Terra como um fato estabelecido da cosmologia.

No início do século XIII, S. Tomás de Aquino, em sua Summa Theologica, escreve sobre a forma esférica da terra. “Para o astrônomo e físico tanto pode revelar-se à mesma conclusão: que a terra, por exemplo, é redonda: o astrônomo por meio da matemática (ou seja, abstraindo da matéria), mas o físico por meio da própria matéria.” (Summa Theologica, Parte I, Prima Pars).
O pai da Igreja do século IV,  Gregório de Nissa, ensinou que a Terra era esférica, afirmando que “Como, quando o sol brilha sobre a Terra, a sombra está espalhada por sua parte inferior, porque a sua forma esférica torna impossível que ela seja envolvida ao mesmo tempo pelos raios” (Sobre a alma e ressurreição).

Então, de onde é que o mito da terra plana se originou? Começou no início de meados do século XIX, com os evolucionistas de Darwin, ansiosos para encontrar (ou inventar) motivos para desacreditar a Igreja e a autoridade cristã tradicional. A ideia foi introduzida pela primeira vez em um contexto fictício, com História da vida e viagens de Cristóvão Colombo, de Washington Irving (1828). Nesta estória, os clérigos que defendiam que a terra era plana eram contra Colombo, dizendo que ele iria cair fora da borda da terra se ele tentasse navegar a oeste.

Depois que Darwin publicou sua Sobre a origem das espécies, em 1859, dois de seus seguidores apresentaram este mito da terra plana como história real, nos livros que promoviam Darwin contra aqueles ‘cristãos ignorantes': ‘A história do conflito entre religião e ciência’ , de John Draper (1874) e ‘A história da guerra da ciência com a teologia da cristandade’, de Andrew Dickson White (1896). A tendência tem continuado desde então, e esta falsa história é perpetuada pelos ateístas e céticos até hoje.

Logos Apologética

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Os Três Reis Magos


Fonte original: Luzes de Esperança: Festa da Epifania: quem foram os Reis Magos?
LUIS DUFAUR

Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém.

A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”.

Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.

Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.

A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la.

O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus.

Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo. O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes. Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus.

O documento levanta questões em extremo interessantes: quem foram ao certo, os Reis Magos? Foram três? Quais eram seus nomes? De onde vieram? Por quê?

Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus:

“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
“2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
“3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
“4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
“5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
“6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
“7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
“8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
“9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
“10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (São Mateus, cap. 2, 1ss)
 A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé. Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos hoje sem contestação.



O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino? 

É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra.

São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos seguintes.

São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. Sua História Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.

No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:

“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades. Gaspar significa “aquele que vai inspecionar”; Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Neste sentido, eles representavam os reis de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis.

Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes.

Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, vêem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.

Em coerência com essa visão, a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de David: “Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11)

Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China.

Em recente livro – escrito a título pessoal, portanto não sendo documento do magistério eclesiástico – Joseph Ratzinger (S.S.Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha), mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha.

A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.

Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”. Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros. A reação popular suscita um amável sorriso.

O que foi depois dos Reis Magos?

De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).

A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias.

Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes.

As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas à capital imperial Constantinopla. Depois foram transferidas a outra capital imperial – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).


Por que eram "Magos"? 

Há grande dificuldade em identificar com plena exatidão geográfica os países de procedência dos Reis Magos, além dos dados da Escritura e de São Beda.

Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).

O nome “mago” provinha do fato de os sacerdotes dessa área serem muito voltados para a consideração dos astros e significava "sábio". A eles devemos o início da ciência astronômica.

Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.

Os Três Reis Magos, ou Sábios, teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.

Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.


Foram "Reis"? 

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reinado.

Porém, na Antiguidade, muitas vezes os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.

São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão. E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.


A estrela que os guiou 

O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência.

Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.

O Prof. Landau acredita que no “apócrifo” entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.

Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitia uma profecia, talvez ouvida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

Prêmio a uma fidelidade de séculos 

Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer.

Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que mundo receberia o Salvador!

Segundo o Prof. Landau, o “apócrifo” diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”.

A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.

E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela.

Alertados por um anjo, voltaram por um outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Os símbolos dos Quatro Evangelistas






O Novo Testamento ou Nova Aliança é a parte da Bíblia que conta a história da vida de Jesus Cristo narrada por quatro homens que são conhecidos com o nome de Evangelistas, porque escreveram a vida de Jesus como um Evangelho, isto é uma Boa Notícia à humanidade. Jesus mesmo não deixou nada escrito. Sua missão foi de anunciar e fazer acontecer o Reino de Deus, reino que se fundamenta no amor, na justiça e no serviço, sobretudo aos mais pobres.
Mateus, Marcos, Lucas e João são os nomes destes quatro discípulos de Jesus. Os três primeiros livros são conhecidos com Evangelhos Sinóticos porque são escritos numa mesma ótica. Eles descrevem muitos milagres e palavras de Jesus. Reunem, completam e editam os assuntos que serviram de base para toda a catequese existente em suas comunidades. João, por sua vez, escreve como uma meditação que visa despertar e alimentar a fé em Jesus Cristo, a fim de que todas as pessoas possam ter vida em abundância.
A iconografia cristã (representação por imagens) atribui um símbolo a cada um dos quatro evangelistas. Esta atribuição é feita a partir dos textos de Ezequiel 1, 1-4 e 10, 14 e de Apocalipse 4, 6-7, que falam de quatro seres vivos com aparência de touro, leão, ser humano e águia. O primeiro a relacionar os evangelistas com estes seres foi Santo Ireneu (+ 203). Depois foi Santo Agostinho (+430). Assim, surgiu o costume de representá os quatro Escritores Sagrados nas pinturas e nas esculturas junto aos seus símbolos.
Mateus é representado por um anjo ou homem alado porque inicia o seu evangelho com a genealogia de Jesus Cristo, mostrando a sua origem e descendência humanas, marcados pelo seu nascimento (Cf. Mt 1). É a dimensão da obra-prima de Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança.
Marcos inicia o seu Evangelho falando de João Batista, a voz que clama no deserto (Cf. Mc 1,1-25). Seu símbolo é um leão alado, representando as feras que habitam o deserto. É a dimensão da força, realeza, poder, autoridade do Filho de Deus.
Um touro alado simboliza o evangelista Lucas. Ele inicia o seu Evangelho falando do Zacarias, sacerdote em função naquele ano e cuja tarefa era oferecer sacrifícios no Templo de Jerusalém. O touro é a representação dos sacrifícios oferecidos (Cf. Lc 1,25). É a dimensão da oferta a Deus.
João, dentre os quatro o maior teólogo, é representado por uma águia, por causa do elevado estilo do seu Evangelho, que fala da Divindade e do Mistério altíssimo do Filho de Deus. Ele inicia seu Evangelho de cima pra baixo: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus" (Cf. Jo 1,1-5). Daí a águia, por ser a ave que voa mais alto e faz os seus ninhos nos montes mais elevados. É a dimensão da liberdade do Filho de Deus diante das forças deste mundo.

Pe. Carlos Alberto Seixas de Aquino
Pároco da Paróquia N. Sra. de Fátima em Parnaíba
Fonte

Veja abaixo o vídeo do Padre Paulo Ricardo sobre o tema:


terça-feira, 22 de abril de 2014

Arconticismo segundo Epifânio de Salamina

O arconticismo foi uma seita gnóstica existente na Palestina e Armênia que surgiu por volta do século IV e que possuía algumas semelhanças com a seita do setianismo. O nome "arconticismo" ou "arcônticos" provém de "arconte" mas é provável que fora atribuído por Epifânio de Salamina, um bispo da cidade de Salamina e metropolita da ilha de Chipre no final do século IV d.C.

Origens

Epifânio de Salamina parece ter sido o primeiro a escrever sobre a seita, segundo Epifânio, a seita dos arcônticos fundada na metade do quarto século começou quando um armênio de nome Eutaktus estava retornando ao Egito e parou na Palestina, onde conheceu um ermitão chamado Pedro, o gnóstico, Pedro era um ex-sacerdote palestino que habitava uma caverna onde recebia apenas as visitas de seus pupilos. Epifânio relaciona a conversão de Pedro a um período em que ele esteve na Arábia possivelmente com os Ebionitas (uma das ramificações do Cristianismo primitivo, que pregava que Jesus de Nazaré não teria vindo abolir a Torá como prega a doutrina paulina) e Nazarenos.
Tanto os ebionitas quando so Nazarenos não eram gnósticos, mas seitas judeo-cristãs com grandes tendências ascéticas. Quando Eutaktus retornou para a Armênia, ele ensinou aos pupilos de Pedro a doutrina gnóstica, entre os pupilos haviam um senador e outras pessoas da elite o que mostrou sua considerável influência na alta sociedade armênia, através de Eutaktus, os arcônticos se disseminaram pela Armênia onde conseguiram arrebanhar diversos armênios ricos e influentes.

Escritos e Crenças

Epifânio relata que os ensinamentos dos arcônticos estavam contidos em dois livros, o Harmonia Menor e o Harmonia Maior, e que os arcônticos mencionam dois profetas de nomes Martiades e Marsianos que, assim como Seth, ascenderam aos céus por três dias e depois retornaram,  os arcônticos também consideravam o deus cristão, pai de Cristo, como um arconte e originador de todo o mal.
A crença dos arcônticos consistia em oito céus que ficavam acima do supremo e bom deus, chamado de Pai de Tudo, e da Mãe Superiora, também chamada de Mãe Luminosa. A alma, também, provinha do oitavo céus, os sete céus abaixo eram governados por arcontes maléficos, dos quais Sabaoth, o deus dos judeus, era seu líder habitando o sétimo céu.
A doutrina dos arcônticos também mostrar grande similaridade com os conceitos existentes no Apócrifo de João e Hipóstase dos Arcontes mas aparentemente eles começaram a partir de uma estrutura do mundo divino mais simples do que as assumidas nestes escritos

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Os Templários: Visão de Laurent James


Os primeiros nove cavaleiros fizeram seus votos perante o patriarca Teocletes, 67º sucessor de João o Evangelista. Fundada em Lyon no ano de 160 por São Irineu, a Igreja de João tinha seu próprio rito, favorecia o Paráclito, e estava baseada nos escritos de São Clemente de Alexandria que considerava tanto Platão como os Evangelhos como manifestações do Logos. O rito dos templários era grego e bizantino.

A Ordem foi estabelecida seguindo as regras de Santo Agostinho, emitida desde concepções bélicas, heróicas e solares. O herói é bem mais considerado que o mártir.

A regra cisterciente que foi imposta em 1128 (dez anos após a criação da Ordem) foi inspirada por São Bernardo de Clairvaux, o cavaleiro da Virgem Maria, muitas vezes descrito como monge celta, um druida cristão. A religião dos templários era armada e militante, e se fundiu com o Cristianismo oriental: maronitas, coptas, alguns grupos gnósticos orientais. Eles trouxeram a descoberta da alquimia para a Europa, após formar fortes relações com druzes, ordens xiitas (hashashin), e mesmo Saladino.

A estrutura da Ordem estava baseada na trifuncionalidade indo-européia (Oratores: capelões, Bellatores: cavaleiros, Laboratores: sargentos).

A entrada à Casa do Templo era governada por um ritual iniciático, na presença do comandante e doze membros do capítulo. Doze é o número da Idade de Ouro (12 signos estelares). Cabeças cortadas foram introduzidas em certos ritos templários.

Recuperar o Celtismo é orientar, isto é, uma maneira de encontrar o Oriente. A matriz da Europa escatológica é celta, a raça astral e divina dos Tuatha Dé Danann. Deixe-me lembrá-los da existência da Igreja Ortodoxa Celta, fundada no ano de 7 por José de Arimatéia em Glastonbury, poucos anos após sua chegada em Marselha com Maria Madalena. José realizou uma jornada de Provença à Cornualha seguindo o caminho inverso da famosa rota do estanho. A Igreja Ortodoxa Celta perdeu sua soberania no século XIII, e foi restaurada em 1866 pelo patriarca Pierre-Ignace IV, Metropolita da Igreja Ortodoxa Síria. Duas outras igrejas similares também existem: a Igreja Ortodoxa Francesa e a Igreja Ortodoxa dos Gauleses. Essas três igrejas se uniram em 2007. Elas se baseiam em um rito ocidental, com elementos do rito de São João Crisóstomo. Elas adoram ao Cristo Pantocrator, a força de Cristo no Espírito. Alguns papas até mesmo afirmam que Jesus visitou a Grã-Bretanha em Sua juventude.

Em oposição aos mundos germânico e romano, o espiritual prevalece sobre o político no mundo celta. Nos países celtas que foram menos romanizados, tal como Irlanda e Escócia, as elites espirituais se converteram ao Cristianismo muito mais facilmente do que na Gália. As igrejas celtas eram monásticas e intelectuais, monges liam Platão e Plotino. A Irlanda era dita uma ilha de santos e sábios. Alguns deles foram bastante influentes: Escoto Erígena, monge celta da Irlanda no século IX, promoveu o estudo da patrística grega em relação à patrística latina, na corte de Carlos II (Rei e Imperador).

Há muitas características comuns entre os cristianismos oriental e celta: o sentimento profundo pela Trindade; o senso de glória do Deus oculto nos seres humanos, nenhuma separação escolástica entre a alma e o mundo; o papel supremo da liberdade humana na salvação (ver Jean Cassien, que foi acusado de semipelagianismo); uma concepção iniciática do destino da alma (Epectase), ilustrada pela navegação de São Brandão (com São Malo) até o Canadá no século VII. O indivíduo não é uma alma prisioneira dentro do corpo, mas uma alma em permanente transformação que recuperará sua plenitude no tempo da ressurreição. Para o pensamento cristão ortodoxo, que rejeita cada dualismo, o mundo é uma dádiva de Deus que será transformada pelo Espírito Santo.

Para mim, há uma grande analogia entre as duas relações: a relação entre a comunidade igualitária primitiva da Idade de Ouro e a sociedade Tradicional organizada em uma hierarquia estrita, e a relação entre ortodoxia (popular) e catolicismo (aristocrático). O segredo da suprema junção entre ortodoxia e catolicismo se encontra no dogma da coroação da Virgem Maria aliado ao amor intangível do Paráclito. E no que concerne a própria Europa, o segredo de todas as supremas junções reside no renascimento do Celtismo.

Joachim de Fiore: "Tanto quanto o Velho Testamento parece pertencer ao Pai, por uma certa propriedade de similaridade, e ao Filho a carta do Novo Testamento; bem como a inteligência espiritual, que procede de ambos, pertence ao Espírito Santo. De tudo isso, a era em que as pessoas se unem em casamento foi o reino do Pai; a era dos pregadores é o reino do Filho; e a era dos monges, ordo monachorum, a última, deverá ser o reino do Espírito Santo. A primeira antes da lei [Touro e Áries], a segunda sob a lei [Peixes], e a terceira com a graça [Aquário]".

A Eurásia é a ressurreição de nossa civilização prévia, a reativação da Instituição Sagrada do Paleolítico. É a melhor maneira de curar o trauma do fim de Atlântida, através da aliança elitista entre as religiões ativas e justificadas de nosso continente.

O Reino Eurasiano é a Cidade Santa profetizada por muitas espiritualidades européias. A Cidade SAnta é a vitória da Unidade sobre a uniformidade.

Os herdeiros dos Templários iluminarão o Reino Eurasiano com a clareza da Estrela Interior, para estabelecer de forma definitiva esse Reino Espiritual total governado pela Ordem da Madama Santa Maria, universal, unificadora e supratradicional. Os homens então serão capazes de partilhar suas refeições com Deus, como previsto por François Rabelais ao fim de seu Terceiro Livro. O escritor francês Jean Parvulesco falou sobre a necessidade de uma revolucionária Imaculada Concepção para a realização final da Unidade transcendental, e do Reino Eurasiano do Fim dos Tempos.

Este é um trecho de um artigo maior denominado "Eurasianismo e Espiritualidade"
Veja o artigo completo aqui

domingo, 1 de setembro de 2013

Augusto dos Anjos, o Poeta do Hediondo: Parte 1 - O Cristianismo



Barulho de mandíbulas e abdomens! 
E vem-me com um desprezo por tudo isto 
Uma vontade absurda de ser Cristo 
Para sacrificar-me pelos homens!

Augusto dos Anjos, “Gemidos de arte”.

A primeira edição do Eu, único livro do poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884- 1914), publicada no Rio de Janeiro em 1912, foi recebida com indiferença e desprezo, tanto pela crítica quanto pelo público leitor. À revelia de qualquer lógica comercial, Órris Soares, fiel amigo do poeta, fez publicar duas outras edições do livro, acrescido de novos poemas, em 1919 e 1928.

A segunda edição não obteve mais sucesso que a primeira. A terceira, entretanto, se não bastou para incluir Augusto dos Anjos no cânone da camada “grande” Literatura Brasileira (inclusão que só recentemente começa a se consumar), caiu nas graças do público, tornando Eu e outras poesias, como o livro passou a se chamar, em um dos maiores fenômenos editoriais da poesia nacional até os dias de hoje, quando já ultrapassa quarenta edições.
A partir de então, a crítica, reticente a princípio (salvo raras exceções), passou a se debruçar sobre a obra do paraibano com mais atenção. Assim sendo, o volume de textos críticos dedicados a Augusto dos Anjos não é nada desprezível. Ao longo das décadas, sua poesia tem suscitado os comentários de inúmeros entusiastas e alguns detratores. Em 1973, Afrânio Coutinho e Sônia Brayner publicam Augusto dos Anjos – textos críticos, coletânea contendo 34 pequenos ensaios sobre Augusto dos Anjos (o poeta e o homem) (COUTINHO, Afrânio e BRAYNER, Sônia. Augusto dos Anjos - textos críticos. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973.). Muitos destes se encontram reunidos na seção “Fortuna Crítica” do volume Augusto dos Anjos – obra completa, publicado pela Editora Nova Aguilar em 1994 (ANJOS, Augusto dos. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.).


LIVRARIA CULTURA

EU - AUGUSTO DOS ANJOS

CLIQUE AQUI PARA COMPRAR 

PREÇO: R$ 24,00

ESPECIFICAÇÕES
Formato: Livro
Idioma: PORTUGUES
Editora: HEDRA
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA - POESIA
Número de páginas: 188

SINOPSE:
Publicado primeiramente em 1912, esta obra traz poemas que causaram enorme estranhamento no ambiente literário do início do século XX. Frutos de uma aliança entre tendências literárias e filosóficas do período, os poemas de 'Eu' são tributários do cientificismo positivista do século XIX, do formalismo parnasiano, do misticismo simbolista - vazado pelas doutrinas espirituais do Oriente, que o poeta empresta de Schopenhauer, junto do pessimismo a respeito das coisas humanas - e das ideias do Naturalismo, que reduzem o homem a seus aspectos biológicos e temperamentais.


Esforços interpretativos de maior fôlego, entretanto, como o admirável O evangelho da podridão, de Chico Viana, publicado também em 1994 (VIANA, Chico. O evangelho da podridão, não se encontram tão facilmente. A bem da verdade, mesmo aqueles ensaios mais breves e numerosos padecem de uma certa superficialidade, limitando-se à reiteração impressionista dos notórios lugares comuns que estigmatizam a obra do poeta. Assim, examinando o patrimônio crítico de Augusto dos Anjos, deparamo-nos com textos a fio sobre seu pessimismo intenso, seu estilo singular (geralmente associado à sua singularíssima personalidade), a dificuldade em encaixá-lo no esquema dos estilos de época, etc.

O biografismo com que sua obra costuma ser abordada é tão exacerbado que chegou a criar um verdadeiro mito, suposta chave de interpretação da sua poesia: a tuberculose que, transtornando os nervos do poeta, teria definido sua visão de mundo e estética extravagante – e da qual ele, de fato, jamais sofreu. A tuberculose, com efeito, aparece com freqüência nos poemas de Augusto dos Anjos. A imagem da doença (especialmente da de natureza respiratória) é, na verdade, das mais recorrentes em Eu e outras poesias. Explicá-la, contudo, como mera transposição para a literatura da experiência concreta de um tuberculoso é esquivar-se à responsabilidade de um exame mais cuidadoso de seu sentido propriamente poético. Pior ainda, o apelo à vida concreta do autor como estratégia de leitura da obra atinge aqui seu ápice ridículo, ao eleger, como gênese de um determinado “temperamento lírico”, um dado biográfico que nem sequer existiu. Tal é o tipo de precariedade analítica de que Augusto dos Anjos tem sido vítima.

Existem, contudo, algumas exceções a essa regra. A primeira delas se encontra, talvez, nos estudos realizados por M. Cavalcanti Proença, em 1955 e 1957, respectivamente intitulados “Artesanato em Augusto dos Anjos” e “Nota para um rimário de Augusto dos Anjos” (PROENÇA, M. Cavalcanti. “Artesanato em Augusto dos Anjos”. In: COUTINHO, Afrânio e BRAYNER, Sônia. Augusto dos Anjos - textos críticos. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973, pp. 215-270. e PROENÇA, M. Cavalcanti. “Nota para um rimário de Augusto dos Anjos”. In: COUTINHO, Afrânio e BRAYNER, Sônia. Augusto dos Anjos - textos críticos. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973, pp. 280-294.). São trabalhos que em tudo se afastam da facilidade dos clichês acima mencionados, investigando, com seriedade e arsenal teórico, os procedimentos técnicos através dos quais constrói-se a obra do paraibano. Porém, apesar de livres da ingenuidade teórica que marca as obras críticas precedentes, os textos de Proença ainda não dão conta da complexidade de seu objeto de estudo, já que se restringem estritamente ao seu aspecto formal.

Muito mais interessante é “A costela de prata de A. dos Anjos” (ROSENFELD, Anatol. “A costela de prata de Augusto dos Anjos”. In: COUTINHO, Afrânio e BRAYNER, Sônia. Augusto dos Anjos - textos críticos. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973, pp. 314-319.), publicado em 1969, por Anatol Rosenfeld, em Texto/Contexto. Rosenfeld se propõe examinar um tema freqüentemente explorado (ou antes, mencionado) em estudos anteriores: o uso de termos científicos na poesia de Augusto dos Anjos – mas o faz com propriedade e capacidade de penetração inéditas. Para o estudioso, tal prática se relaciona à necessidade de introduzir, na poesia, elementos estrangeiros ao trato vulgar da linguagem, o que permitiria aproximar Augusto dos Anjos aos poetas expressionistas alemães, seus contemporâneos (Gilberto Freyre, com efeito, já empreendera tal aproximação, em texto de 1924. Cf. nota de rodapé à página 31 desta dissertação). A partir daí, múltiplos desdobramentos interpretativos se revelam possíveis, e o estudo termina por concluir que “à exogamia linguística de Augusto dos Anjos, corresponde uma ‘desumana’ paixão exogâmica por tudo que não faça parte da corrupta tribo humana” (ROSENFELD, Anatol. “A costela de prata de Augusto dos Anjos”. In: COUTINHO, Afrânio e BRAYNER, Sônia. Augusto dos Anjos - textos críticos. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973, p. 318.).

Neste ponto, convém deixar claro o seguinte: ao contrário do que possa parecer, a paixão pelo inumano que Rosenfeld atribui a Augusto dos Anjos não é incompatível com a mentalidade cristã que se lhe quer aqui atribuir. É preciso levar em consideração o sentido específico que a expressão “mentalidade cristã” ora assume, sentido esse que não se confunde com o que lhe confere o senso comum ou mesmo as instituições eclesiásticas, aproximando-se antes das concepções maniqueístas de certas correntes heréticas (mais adiante, volta-se ao tema). Para tal mentalidade – como aqui caracterizada – o humano se define, antes de tudo, pela impureza e pelo pecado, representando um patamar ontológico degradado em relação ao divino. O amor cristão ao divino e à pureza tem, como necessária contraparte, o horror cristão à impureza e ao humano. É desse horror que se origina a paixão augustiana pelo inumano de que fala Rosenfeld, paixão, portanto, eminentemente cristã.

Embora impecável, “A costela de prata de A. dos Anjos” tem como objeto de estudo um aspecto por demais pontual da obra de Augusto dos Anjos, ainda que amplamente revelador quanto às feições de sua poética. Não satisfaz, por isso, a demanda de uma visada mais profunda, que evidenciasse os princípios mesmos sobre os quais tal poética se fundamenta.

Nesse sentido, mais bem sucedido é o já citado O evangelho da podridão, de Chico Viana. Trata-se de uma Tese de Doutorado, publicada sob a forma de livro em 1994, que se utiliza, com bastante felicidade, de teorias psicanalíticas na tentativa de elucidar aqueles princípios. Esquivando-se de qualquer forma de psicologismo, o estudo esmiúça as imagens da culpa e do auto-horror, tão significativas quanto abundantes na obra de Augusto dos Anjos, terminando por “diagnosticar” como melancólico o eu lírico que dá nome a Eu e outras poesias. O evangelho da podridão aponta para o que, a meu ver, constitui o aspecto fundamental da poética de Augusto dos Anjos, bem como o fator definitório de sua estética singular: o peculiar cristianismo que subjaz à visão de mundo em que tais poética e estética se baseiam. Em inúmeros momentos, as reflexões de Chico Viana o fazem resvalar na constatação de que a personagem lírica que se delineia ao longo dos poemas de Augusto dos Anjos enxerga a existência e a si mesmo através de um prisma marcadamente cristão. Entretanto, devido ao ponto de vista teórico a partir do qual trabalha, o estudioso decide não se demorar nesse “pormenor”, que permanece, dessa maneira, sem elucidação
satisfatória.

Além de O evangelho da podridão, há ainda outros trabalhos acadêmicos que têm a poesia de Augusto dos Anjos como objeto. Em sua grande maioria, não foram publicados sob a forma de livro. O Banco de Teses da CAPES registra 33 obras críticas, entre teses e dissertações, que se debruçam sobre a obra do paraibano (www.capes.gov.br, site da Internet acessado em 20 de maio de 2006.). Entre tais trabalhos acadêmicos, encontra-se O cemitério de papel, Dissertação de Mestrado de Maria Ester Maciel de Oliveira, defendida em 1990 (OLIVEIRA, Maria Éster Maciel de. O cemitério de papel – sobre a Atopia de Eu de Augusto dos Anjos. Belo Horizonte: UFMG, 1990.). O caráter refratário a rótulos da poesia de Augusto dos Anjos é uma espécie de topos crítico entre seus estudiosos e comentadores. De maneira análoga ao que ocorre com o uso de termos científicos no ensaio de Anatol Rosenfeld, em O cemitério de papel, a inclassificabilidade do Eu se vê finalmente redimida da ligeireza com que sempre fora tratada. Uma das primeiras obras acadêmicas a se debruçar sobre a poesia de Augusto dos Anjos, a Dissertação de Maria Ester Maciel é sintomática da gradual tomada de interesse da crítica universitária por essa poesia. Revela-se, por isso, digna de destaque. Lançando mão do conceito de Atopia, a obra busca compreender o aspecto fluido e deslizante de seu objeto de estudo, concluindo pela impossibilidade de se o confinar em
qualquer registro literário estanque. A decantada e desconcertante “estranheza” dos versos de dos Anjos seria a expressão de uma diferença radical, irredutível a categorias pré- estabelecidas. Note-se que isso não significa que a poesia de Augusto dos Anjos não é literatura. O que a Atopia do Eu indica é antes a impossibilidade de se fixar, em definitivo, o que a própria literatura é. O que é dizer: a impossibilidade de se definir a literatura  segundo parâmetros objetivos, invariáveis e absolutos. A literatura não é dotada de uma
essência fixa, que permaneça a mesma incondicionalmente, mas, pelo contrário, só se define mediante convenções em grande medida arbitrárias, convenções estas que variam no tempo e no espaço e que se estabelecem a partir dos mais variados critérios. Isso quer dizer que a literatura carece de uma especificidade incontestável, ou seja, definir o que é e o que não é literatura será sempre uma questão polêmica. É o que a poesia irredutivelmente estranha de Augusto dos Anjos põe a nu. O eu e o outro, por sua vez, Dissertação de Mestrado de Maria Zélia Versiani Machado, defendida em 1997 (MACHADO, Maria Zélia Versiani. O eu e o outro. Belo Horizonte: UFMG, 1997.), singulariza-se entre os estudos de Augusto dos Anjos, uma vez que não tem por objeto Eu e outras poesias, mas sim os textos críticos que sobre ele se debruçam, reunidos nos volumes Augusto dos Anjos – textos críticos e Augusto dos Anjos –
obra completa. Não há nenhum outro trabalho sobre Augusto dos Anjos que se proponha uma tarefa parecida. A Dissertação contribui, dessa maneira, não apenas para a compreensão da obra do poeta em si, mas também para o estudo da crítica literária no Brasil de uma forma geral. Eis por que importa destacá-la, em meio a outros trabalhos acadêmicos sobre o paraibano. Em vista do exposto acima, este trabalho pretende se justificar pela inexistência de qualquer outro estudo integralmente dedicado ao exame do cristianismo em Augusto dos Anjos. Busca-se evidenciar os fundamentos mesmos sobre os quais se assenta a poética em estudo, partindo-se da hipótese de que tais fundamentos encontram, no que se poderia chamar de visão de mundo cristã, sua (por assim dizer) matriz ideológica ou filosófica.

Sendo correta tal hipótese, um aspecto central da poesia de Augusto dos Anjos (i.e. sua relação com o cristianismo) ainda está por ser estudado. É o que aqui se tem por escopo. Para isso, examina-se o poema “Monólogo de uma Sombra” (ANJOS, Augusto dos. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 195.), que abre o livro Eu e outras poesias, de modo a deixar evidente o conteúdo cristão que subjaz a esse poema, bem como a averiguar o modo específico como tal conteúdo se plasma em objeto artístico, isto é, as feições que assume, as imagens e procedimentos em que se incorpora, etc. Tem-se como pressuposto a noção de que é possível identificar os princípios composicionais e ideológicos desse poema aos da poética de todo o conjunto a que ele pertence . Antes de proceder ao exame de “Monólogo de uma Sombra”, tenta-se esboçar uma conceituação minimamente funcional (isto é, que sirva aos propósitos específicos deste
estudo) para o procedimento estético que se convencionou chamar de Feísmo ou Culto ao Feio, estabelecendo-lhe uma breve genealogia na história recente da poesia ocidental e evidenciando-lhe as implicações ideológicas subjacentes, isto é, sua relação direta com o modo cristão de conceber as coisas. Recorre-se, para tanto, ao exame de poemas de dois célebres feístas: Cruz e Sousa e Baudelaire, ambos fontes importantes e reconhecidas da poética de Augusto dos Anjos, também ele notório cultor do Feísmo. A partir disso, busca- se identificar manifestações do Culto ao Feio (como caracterizado anteriormente) na poesia de Augusto dos Anjos, demonstrando, ao mesmo tempo, que, ao gosto angelista pela representação do Hediondo, corresponde uma visão de mundo cristã. Quanto à pesquisa de que este trabalho extraiu subsídios, foi de natureza puramente teórica, consistindo do exame da bibliografia indicada ao fim desta Dissertação. Tendo por base esse exame, e através da análise do poema mencionado acima, busca-se, como ficou dito, estabelecer as leis – ideológicas, mas também composicionais – que regem a poética de Augusto dos Anjos. Tem-se, portanto, como premissa a idéia de que, à realidade fenomênica do texto
(por assim dizer), subjazem princípios estruturantes, os quais cabe à análise explicitar. Supõe-se que o texto seja dotado de certa organicidade, configurando-se de acordo com uma gramática interna, cujo delineamento é a tarefa do analista. Proceder a essa tarefa significa extrair do texto sua organização intrínseca, isto é, a maneira específica com que nele se articula a matéria estética a um determinado teor semântico. Importa, sobretudo, averiguar o modo peculiar como a poesia leva a cabo essa articulação, para além do convencionalismo arbitrário da linguagem comum. Ao analista, incumbe sensibilizar-se à especificidade do discurso poético, que potencializa semanticamente estratos da linguagem normalmente condenados à mudez. Não se encampa aqui uma postura a que se poderia chamar “imanentista”, uma vez que não se crê que a obra de arte seja dotada de uma autonomia plena em relação ao que a transcende. Busca-se, pelo contrário, depreender do texto uma determinada visão de mundo (isto é, uma concepção do homem e da existência), a que se possa associá-lo mediante o esforço criativo da interpretação. Por “interpretação”, entenda-se a atribuição de sentido a dados textuais. Parte-se do pressuposto de que, a este ou àquele procedimento poético (prosódico, sintático, retórico, fonético, etc.), corresponde este ou aquele modo de enxergar o mundo e se relacionar com ele – ainda que tal correspondência não se inscreva a priori numa suposta “realidade em si” do objeto literário (senão sob a forma de potencialidade), mas sim dependa do analista-intérprete para se realizar plenamente. No caso específico deste trabalho, busca-se associar, à poesia de Augusto dos Anjos, a visão de mundo cristã. Dito isso, cumpre deixar claro o sentido específico que se quer aqui emprestar à expressão “visão de mundo cristã”. A princípio, chega-se a tal visão de mundo por via de um insight crítico, isto é: em meio à experiência da leitura da obra poética de Augusto dos Anjos, intui-se a existência de algo a que se poderia chamar “mentalidade cristã” nessa mesma obra. Num segundo momento, tenta-se sistematizar minimamente tal mentalidade, fixando-lhe traços e atribuindo-lhe características, no intuito de estabelecer o modo
particular e específico como o cristianismo se manifestaria na referida obra (é o que se passa a empreender a seguir). Por fim, mediante análise de poemas, coteja-se a visão de mundo cristã (como se a definiu) com a obra poética em si, verificando, assim, a procedência ou não daquela intuição inicial (eis no que consiste, fundamentalmente, este trabalho). Dessa maneira, o que se expõe abaixo não se quer, de forma alguma, uma “teoria universal do cristianismo”, mas meramente uma ferramenta teórica de uso restrito, forjada segundo as necessidades específicas do esforço crítico a que vem servir. As próprias inconsistências filosóficas ou teológicas que, sem dúvida, se lhe podem apontar, deve-se creditá-las a seu esforço em se adequar, sem violência, à especificidade do texto literário, o qual não suporta (sem se deformar) que um sistema lógico de todo consistente se lhe sobreponha. A principal característica da visão de mundo cristã, do modo como é aqui concebida, é uma maneira dicotômica de enxergar as coisas, concebendo-as a partir de uma dualidade que se desdobra numa série de pares opostos. Assim, mundo e homem possuem, segundo tal mentalidade, duas facetas antagônicas, cada uma congraçando em si aspectos da existência considerados opostos, o que termina por produzir uma dicotomia que pode ser simplificada através do seguinte esquema: pecado\carne\prazer\vida X\santidade\espírito\dor\morte. Os dois elementos dessa dicotomia não se confrontam num plano horizontal, mas segundo uma hierarquia que estabelece a precedência do último sobre o primeiro; precedência que, como se vê, só se faz possível através da total inversão dos princípios e valores que regem a natureza e o mundo físico, feitos de carne e adversos à dor e à morte. Tal inversão, não obstante, é plenamente levada a cabo pelo cristianismo, o que resulta na condenação de tudo que é vital e mundano (neste ponto, é preciso reconhecer a dívida destas reflexões para com Friedrich Nietzsche, a qual deve ficar ainda mais clara mais adiante). Disso dá testemunho o próprio adjetivo “mundano” e o significado pejorativo que assume em nossa cultura (de matriz cristã). É essa mesma “lógica da inversão” que, nos Evangelhos, leva Jesus a desprezar os poderosos e o conduz à companhia dos leprosos, aleijados, prostitutas, miseráveis em geral e, em última instância, à cruz e ao sepulcro. Baseado nela, o cristianismo enxerga o mundo ao avesso, postulando a supremacia dos últimos sobre os primeiros e exaltando o invisível Reino dos Céus em detrimento da realidade terrena. Se, por um lado, as duas metades da dicotomia esquematizada acima são concebidas verticalmente hierarquizadas, não se imagina que elas se manifestem de forma pura no mundo, mas sim entrelaçadas por um vínculo relutante e conflituoso. Na perfeita
integridade de seus seres, subsistem apenas em planos respectivamente sub e supra- mundanos. Transposta para a linguagem da mitologia hebraico-cristã, essa noção se traduz na imagem da Terra como região intermediária entre o Céu e o Inferno, dois entes puros que aqui se misturam ilicitamente, gerando uma criatura cindida por excelência: o homem. Tal fusão\cisão é enxergada como indesejável e mesmo doentia ou criminosa, já que a responsabilidade por ela recai sobre o próprio homem. É o que revelam os mitos do Pecado Original e do Paraíso Perdido. O homem, preterindo criminosamente seu status de ser puro, e impossibilitado, por isso, de permanecer no Reino de Deus, é exilado na Terra e condenado a todas as condições naturais da existência (como o trabalho) de que antes estava isento. Dessa maneira, é o pecado que confere ao homem sua natureza dúbia, originalmente divina, mas terrena por escolha e por castigo. A figura do Cristo, paradigma do ser humano e expressão máxima dessa dubiedade já que encarnação do Espírito Santo, vem à Terra como um segundo Adão, para redimir o erro do primeiro. Escolhendo a lei em vez da transgressão, o martírio em vez do prazer, e o auto-sacrifício em vez da vida, ensina à humanidade o caminho de volta ao Paraíso Perdido, bem como põe fim aos conflitos inerentes à fusão advinda do pecado, ao desfazer essa fusão, através da morte. De fato, morte e redenção se encontram aqui intimamente associadas, já que a redenção advém do auto-sacrifício exemplar do Cristo. Através da morte, alma e corpo finalmente se separam, isto é, desfaz-se em definitivo o elo criminoso entre os dois elementos daquela dicotomia, ficando, dessa forma, restabelecida sua pureza original. Assim, apesar de habitualmente encarada como sinônimo de “vitória sobre a morte”, a ressurreição do Cristo não significa de forma alguma um retorno à vida, mas, pelo contrário, o abandono definitivo desta e o regresso a uma esfera superior de existência que, embora eufemisticamente denominada “Vida Eterna”, só é acessível através da morte.

Para que constatemos o caráter positivo e fundamental da morte no cristianismo, não é sequer necessário apelar para a imagem do auto-sacrifício na cruz – desenlace do esquema mítico do Cristo. A própria ética cristã nos conduziria a essa conclusão pelo simples exame dos corolários de sua lógica interna. Que são os ensinamentos de Jesus, senão máximas de supressão dos mecanismos naturais, paradoxais dentro da lógica do mundo e antagônicos a ela, tais como: amar o próximo como a si mesmo; amar o inimigo; oferecer a outra face; perdoar incondicionalmente, etc. – regras de conduta nada funcionais para a vida saudável de qualquer criatura submetida às condições naturais da existência? A lógica que rege a natureza (e, portanto, tudo aquilo que é vivo) é essencialmente amoral e impõe, como condição fundamental de sobrevivência, um egoísmo que só capitula diante de um interesse maior, de caráter genérico. Já o altruísmo desinteressado e incondicional, pregado pelo cristianismo, aparece diante de tal lógica como total disparate.

Diante do exposto acima, percebe-se que o que a moral cristã verdadeiramente exige, através de seus preceitos, é a superação ascética da natureza, o que equivale à negação dos princípios vitais. Sobrepujar a natureza significa, no cristianismo, vencer as tentações do diabo, o que se explica pelas associações perpetradas pelo primeiro elemento daquela dicotomia. O cristianismo é, portanto, uma doutrina anti-vida, e toda sua ética consiste num esforço em caminhar em direção contrária àquela a que nos compelem os
instintos e a lógica vital. Não é de se espantar, portanto, que o ápice da experiência cristã seja o derradeiro ato em sentido oposto ao da lógica vital, isto é, a morte voluntária, a negação do maior de todos os instintos, ao qual todos os outros estão subordinados, que é o instinto de sobrevivência. Isso equivale a dizer que a conclusão lógica do cristianismo é o suicídio. Na verdade, se estivermos dispostos a aceitar “morte voluntária” como definição de suicídio, seremos obrigados a reconhecer que o próprio Cristo é um suicida.


As três características básicas que definem o cristianismo, na acepção do termo adotada por este estudo, são, portanto:

  • dualidade, que opõe pecado\carne\prazer\vida a santidade\espírito\dor\morte; 
  • lógica da inversão, que estabelece a precedência do último elemento da dicotomia acima esquematizada sobre o primeiro;
  • redenção pela morte, que soluciona a tensão advinda da união ilícita entre aqueles dois elementos. 


Ao longo da História, encamparam-se interpretações do cristianismo similares à esboçada acima. Pense-se, por exemplo, em seitas heréticas maniqueístas, como a dos Cátaros ou a dos Cainitas. O maniqueísmo se origina, talvez, como resposta ao que Santo Agostinho chama de “o problema do Mal” (AGOSTINHO, Santo. Confissões. Trad. J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina. São Paulo: Nova Cultural, 1999, p. 187.). Se um Deus absolutamente bom é o criador de tudo quanto existe, por que existe o Mal? O maniqueísmo postulava a existência de dois deuses distintos: a um deles, corresponderia o Bem e o mundo espiritual; ao outro, o Mal e o mundo material. Bem e Mal seriam, assim, duas substâncias puras, autônomas e imiscíveis, conjugadas, não obstante, em função da perversidade do Deus do Mal, que haveria criado o mundo físico como uma espécie de cárcere em que aprisionar os espíritos. Assim sendo, ao contrário do que pregava o cristianismo institucional e eclesiástico, nem o rito, nem a fé, nem a graça bastariam para
redimir o mundo físico e a vida biológica. Tudo o que se associa à matéria seria absolutamente irredimível e injustificável. No plano ético, tal crença fundamentava uma recusa radical à carne, postura que se traduzia na condenação severa de funções vitais como a procriação e a alimentação. Para os Cátaros, por exemplo, como indica seu próprio nome (do grego Katharos, i.e. puros), era preciso perseguir a pureza acima de tudo. Purificar o espírito significava, para eles, negar e mortificar a carne. O mais alto sacramento dos Albigenses (seita catárica) era a chamada Endura, um autêntico suicídio que consistia simplesmente em jejuar até a morte. Já os Cainitas atribuíam a autoria do Antigo Testamento ao Deus do Mal. À luz de seu satanismo cristão, conferia-se o status de mártires precursores de Jesus Cristo a todas as vítimas do tirânico Javé, a começar pelo patrono da seita: Caim (Catholic Encyclopedia: www.newadvent.org, site da Internet acessado em 15 de junho de 2006). É curioso constatar que, em Baudelaire (figura com que Augusto dos Anjos se encontra em flagrante e notório diálogo, para dizer o mínimo), Caim e Satã são caracterizados dessa mesma maneira, chegando a se investir de atributos legitimamente crísticos e messiânicos. Verifique-se, a esse respeito, os versos abaixo:

“Toi qui, même aux lépreux, aux parias maudits,
 Enseignes par l’amour le gôut du Paradis,
 O Satan, prends pitié de ma longue misère!
 O toi qui de la Mort, ta vieille et forte amante,
Engendras l’Esperance - une folle charmante!”

 Parece verossímil pressupor que o cristianismo antinaturalista dos maniqueístas tenha chegado a Augusto dos Anjos por intermédio de Baudelaire. Em “Une charogne”, o poeta francês retrata a carne privilegiando seu aspecto mais precário e repulsivo (BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Trad. Ivan Junqueira. 4 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 173.). Por todo o livro de Augusto dos Anjos, ouvem-se os ecos desse célebre poema. De um modo ou de outro, quer-se aqui acreditar que a visão de mundo cristã se faz presente na obra do paraibano; procura-se demonstrá-lo pelo presente estudo.

Parece verossímil pressupor que o cristianismo antinaturalista dos maniqueístas tenha chegado a Augusto dos Anjos por intermédio de Baudelaire. Em “Une charogne”, o poeta francês retrata a carne privilegiando seu aspecto mais precário e repulsivo (BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Trad. Ivan Junqueira. 4 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 173.). Por todo o livro de Augusto dos Anjos, ouvem-se os ecos desse célebre poema. De um modo ou de outro, quer-se aqui acreditar que a visão de mundo cristã se faz presente na obra do paraibano; procura-se demonstrá-lo pelo presente estudo.


Créditos:
Rafael Soares de Oliveira
Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Estudos Literários da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Estudos Literários – Literatura Brasileira Orientadora: Profa. Dra.Silvana Maria Pessôa de Oliveira

Posts relacionados

´