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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Califado Fatímida

O Califado Fatímida foi um califado formado com a ascensão da dinastia dos Fatímidas, uma dinastia xiita ismaelita constituída por catorze califas, que reinou na África do Norte entre 909 e 1048 e no Egito entre 969 e 1171.

Origens da Dinastia

As origens da dinastia fatímida situa-se no ismailismo, uma corrente do islão xiita que considerava Ismail como o sétimo sétimo imã xiita. Os Fatímidas alegavam ser descendentes de Fátima (filha do profeta Maomé) e do seu marido Ali, o que explica a designação de Fatímidas. Enquanto xiitas opunham-se ao califado sunita dos Abássidas (750–1258).

A dinastia foi fundada por Ubayd Allah al-Mahdi no século X. Ubayd vivia na cidade síria de Salamiyya, um dos centros a partir dos quais os ismailitas enviavam os seus missionários para os vários pontos do mundo islâmico, com objetivos não só religiosos, mas igualmente políticos. Ubayd Allah decidiu deixar esta cidade por motivos obscuros, acabando por se fixar no norte de África, primeiro em Sijilmassa, no sul de Marrocos, e depois na Tunísia, onde um dos seus missionários, Abu Abdallah, tinha alcançado bons resultados no seu trabalho junto dos berberes da tribo dos Kutama, ao mesmo tempo que procurava debilitar o poder da dinastia local, os aglábidas.

Abu Abdallah tomou Raqqada, a capital dos aglábidas no ano de 909. Em janeiro de 910 Ubayd Allah chegou à cidade, onde tomou os títulos de mahdi e Amir al-Mu'minin. Rapidamente a dinastia passa a controlar o Magrebe. Em 921 Ubayd Allah fixa-se numa nova cidade, al-Mahdiyah ("a cidade do Mahdi"), situada na costa leste da Tunísia, a sul de Sousse. A partir desta cidade Ubayd pretendia conquistar o Egito, mas as três expedições militares lideradas pelo seu filho revelaram-se um fracasso.

O poder fatímida herdou dos aglábidas a ilha da Sicília, cujo domínio se revelou difícil. A população local rejeitou dois governadores fatímidas, dado que tinham eleito um governador próprio, ibn Kurhub, partidário dos abássidas, que fez guerra aos fatímidas. Quando a Sícília foi derrotada, a população local decidiu livrar-se do governador e aceitou o novo governador enviado por Ubayd Allah.

Os Fatímidas no Norte da África

Os primeiros três califas governaram a partir da cidade de al-Mahdiyah, enfrentando algumas dificuldades geradas pelos seus súbditos sunitas e kharijitas, que não estavam dispostos a seguir a doutrina ismailita. Em 948, o terceiro califa, Abu Tahir Ismail Billah, transferiu a capital para a recém-construída al-Mansuriya, situada junto a Cairuão, a antiga capital aglábida.

Os Fatímidas no Egito 

No dia 1 de julho de 969 o general Jawhar as-Siqilli, ao serviço do califa al-Muizz, conquistou o Egito. Jawhar mandou construir uma nova cidade, al-Qahirah ("a Vitoriosa"), conhecida no Ocidente como Cairo, perto da localidade de al-Fustat. Esta cidade tinha como objectivo servir de quartel-general para o exército. É na cidade de Cairo que fundam a famosa Universidade de al-Azhar e mesquita com o mesmo nome. Foi ainda durante o califado de al-Muizz que os fatímidas dominaram as cidades sagradas de Meca e Medina, que permaneceram sob controlo fatímida até ao século XI.

Durante o reinado de al-Aziz (975-996) os fatímidas alargaram o seu império até à Síria. Este califa recorreu à prática de recrutar mercenários para integrar o exército, o que se revelaria mais tarde fatal para a dinastia. O seu sucessor, al-Hakim, ficou conhecido pela sua intolerância religiosa contra judeus e cristãos e pelo seu comportamento excêntrico. Tentou destruir a Igreja Copta do Egito e, em 1010, mandou destruir a Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém. Em 1016 Al-Hakim declarou-se Deus; graças à influência do seu vizir Hamzah ibn Ali ibn Ahmad, se desenvolveria um culto em torno da pessoa do califa que está na origem da religião drusa.

Declínio

Foi a partir do final do califado de al-Hakim que se iniciou o declínio dos Fatímidas.

Ao estabelecerem-se no Egito, os Fatímidas perdem o controlo sobre o Magrebe, onde em 1014 tinha sido fundado o reino hamadita de Bougie. Em 1048 os Ziridas (governadores do Norte de África) rejeitam a soberania fatímida.

Em 1073, um soldado de nome Badr al-Jamali levou a cabo um golpe de estado no Cairo. Al-Jamali concentrou o poder nas suas mãos, tomando os títulos de comandante dos exércitos e vizir. A ordem seria restabelecida, mas as tentativas de manter o domínio sobre a Palestina e a Síria resultariam num fracasso. Badr al-Jamali seria sucedido pelo seu filho; a partir de então os califas fatímidas passaram a ser fantoches nas mãos dos vizires.

Em Setembro de 1171 Saladino derrubou o último califa fatímida, al-Adid (r. 1160–1171).




Arte

Na arquitetura os fatímidas utilizaram materiais e técnicas semelhantes aos da dinastia tulunida, mas ao mesmo tempo que desenvolveram as suas técnicas próprias. Importantes edifícios do período fatímida são a já referida mesquita e universidade de al-Azhar, bem como as mesquitas de al-Hakim e al-Akmar.

Ainda na cidade do Cairo o vizir Badr al-Jamali, temendo ataques dos Turcos, mandou reconstruir as muralhas da cidade, ordenando a construção nestas de três portas: a Bab al-Futuh (Porta da Conquista) e Bab al-Nasr (Porta da Vitória) e a Bab Zuwayla (Porta de Zuwayla); as duas primeiras foram construídas em 1087 e a última em 1092. Cada um destas portas monumentais era acompanhada por duas torres, cilíndricas no caso da Bab al-Futuh e da Bab Zuwayla, e rectangular no caso da Bab Zuwayla. Nas torres desta última porta erguem-se dois altos minaretes, que pertencem à Mesquita de al-Mu'ayyad situada junto à porta.

Califado Abássida

O Califado Abássida (em árabe: العبّاسيّون; transl.: al-‘abbāsīyūn), foi o terceiro califado islâmico. Ele foi governado pela dinastia Abássida de califas, que construíram sua capital em Bagdá após terem destronado o Califado Omíada, cuja capital era Damasco, com exceção da região de al-Andalus.

O Califado Abássida foi fundado pelos descendentes do profeta islâmico ‘Abbas ibn ‘Abd al-Muttalib, o tio mais jovem de Maomé, em Harran, em 750 d.C. e mudou a sua capital em 762 para Bagdá. Prosperou por dois séculos, mas vagarosamente entrou em declínio com a ascensão do exército turco que eles mesmos haviam criado, os mamelucos. Menos de 150 anos após terem tomado o poder da Pérsia, os califas foram forçados a cedê-lo para emires dinásticos locais, que aceitavam sua autoridade de forma apenas nominal. O califado também perdeu as províncias ocidentais do al-Andalus, Magrebe e Ifríquia para um príncipe omíada, para os Aglábidas e para o Califado Fatímida, respectivamente.

O governo dos abássidas foi exterminado por um breve período de 3 anos em 1258, quando o cã Hulagu, dos mongóis, saqueou Bagdá. Eles retomaram o poder no Egito mameluco em 1261, de onde continuaram a alegar autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos até 1519, quando o poder foi formalmente transferido para o Império Otomano e a capital, realocada para Constantinopla (conquistada aos bizantinos em 1453).


Califado Abássida cerca de 850

A Ascenção

Os califas abássidas eram árabes descendentes de ‘Abbas ibn ‘Abd al-Muttalib (566 - 662), um dos tios mais jovens de Maomé, que se consideravam os verdadeiros sucessores de Maomé e adversários dos Omíadas. Estes, por sua vez, eram descendentes de Umayya e formavam um clã que se separou de Maomé na tribo de Quraysh. Eles conseguiram o apoio dos xiitas (da sub-seita Hashimiyya, derivada dos Xiitas caisanitas) contra os Omíadas ao se converterem temporariamente ao islamismo xiita e se juntando a eles em sua luta contra os Omíadas.

Os abássidas também se distinguiram dos Omíadas ao atacar seu caráter moral e a sua administração de forma geral. De acordo com Ira Lapidus, "A revolta abássida foi apoiada de forma geral por árabes, principalmente os incomodados colonizadores de Marw, mais a facção iemenita e seus 'mawali". Os abássidas também apelaram para os árabes que ainda não se tinham convertido ao Islão, conhecidos como mawali, que permaneceram à margem da sociedade parental dos árabes e eram vistos como sendo uma classe inferior dentro do Império Omíada. Muhammad ibn 'Ali, um bisneto de Abbas, começou a campanha pelo retorno da família de Maomé, os Hachemitas, na Pérsia, durante o reinado de Omar II.

Durante o reinado de Marwan II, esta oposição culminou na rebelião de Ibrahim, o imã, o quarto na linhagem de Abbas. Apoiado pela província do Coração (atualmente no Irã), ele teve um considerável sucesso, mas foi capturado no ano de 747, vindo a morrer na prisão. A luta então continuou com seu irmão, Abdallah, conhecido pelo nome de Abu al-'Abbas as-Saffah, que derrotou os Omíadas em 750 na Batalha de Zab, perto do Grande Zab, e foi subsequentemente proclamado califa.

Moeda em Bagdá
Poder

A primeira mudança realizada pelos abássidas foi mudar a capital do império de Damasco, na Síria, para Bagdá, atualmente no Iraque. Este movimento teve como razão um desejo de apaziguar - e se aproximar - da base de apoio mawali persa que existia na região, sob influência mais forte da história e cultura persa, e que demandavam uma influência menos "árabe" no império. Bagdá foi fundada no rio Tigre em 762 e um novo cargo, o de vizir foi criado para permitir a delegação do poder central, com parte ainda maior dele caindo sobre os emires locais. Eventualmente, isso significou que muitos califas abássidas eram relegados a uma posição simplesmente cerimonial do que na época dos Omíadas, uma vez que o vizir começou a exercer uma grande influência, substituindo a antiga aristocracia árabe pela burocracia persa .

Os abássidas haviam dependido fortemente do apoio dos persas quando derrubaram os Omíadas. O sucessor de Abu al-'Abbas, Al-Mansur, quando mudou a capital de Damasco e convidou os muwali para a corte, ajudou a integrar as culturas árabe e persa, mas, ao mesmo tempo, alienou muitos de seus apoiadores árabes, particularmente os árabes de Coração que o haviam apoiado em suas batalhas contra os Omíadas. Estas fraturas na base de apoio dos abássidas quase que imediatamente causaram problemas. Os Omíadas, mesmo apeados do poder, não foram destruídos, uma vez que o último membro sobrevivente da casa real - que fora quase toda assassinada - conseguiu finalmente chegar a Espanha, onde se estabeleceu como um emir independente (Abderramão I, 756). Em 929, Abderramão III assumiu o título de califa, fundando al Andalus , com capital em Córdova, como uma rival a Bagdá ao título de capital do Império Islâmico.

Em 756, o califa abássida al-Mansur enviou mais de 4000 mercenários árabes para ajudar os chineses da dinastia Tang na Rebelião de An Shi contra An Lushan. Após a guerra, permaneceram na China. O califa árabe Harun al-Rashid iniciou uma aliança com os chineses e diversas embaixadas dos califas árabes à corte chinesa foram preservadas nos anais dos Tang, o mais importante deles sendo os de (A-bo-lo-ba) Abul Abbas, o fundador de uma nova dinastia, a dos (A-p'u-ch'a-fo) Abu Jafar, o construtor de Bagdá, e a de (A-lun) Harun al-Rashid, melhor conhecido, talvez, nos dias de hoje através da obra popular conhecida como "As Mil e Uma Noites". Os abássidas (ou "Bandeiras Negras", como eles eram chamados), eram conhecidos na história chinesa como Heh-i Ta-shih, "Os árabes vestidos de preto"

A Era de Ouro

A Era de Ouro do Islão foi inaugurada no meio do século VIII pela ascensão do Califado Abássida e pela transferência da capital de Damasco para Bagdá. Os abássidas fora influenciados pelas mandamentos e hadith corânicos, como "a tinta de um acadêmico é mais sagrada que o sangue de um mártir", estressando o valor do conhecimento . Durante este período, o mundo islâmico se tornou um centro intelectual para ciência, filosofia, medicina e a educação, pois os abássidas abraçaram a causa do conhecimento e criaram a Casa da Sabedoria em Bagdá. Ali, acadêmicos muçulmanos e não muçulmanos lutaram para juntar todo o conhecimento do mundo e traduzi-lo para o árabe . Diversas obras clássicas da Antiguidade, que de outra forma teriam se perdido, foram traduzidas para o árabe e o persa, e depois seria traduzidas para o turco, hebreu e o latim . Durante este período, o mundo muçulmano era um caldeirão de culturas que colecionava, sintetizava e avançava de modo significativo o conhecimento herdado de civilizações antigas como os romanos, os chineses, o indianos, os persas, os egípcios, os gregos e os bizantinos.

Sob os Mamelucos

No século IX, os abássidas criaram um exército leal apenas ao califado, recrutado principalmente entre os escravos turcos e árabes, conhecidos como "Mamelucos", com alguns eslavos e berberes. Esta força, criada durante o reinado de al-Ma'mun (813–833) e seu irmão e sucessor al-Mu'tasim (833–842) evitou que o império de desintegrasse .

O exército mameluco, embora geralmente visto de forma negativa, tanto ajudou quanto prejudicou o califado. No início, ele deu ao governo uma força estável para lidar com problemas domésticos e externos. Porém, a criação deste exército estrangeiro e a transferência da capital de Bagdá para Samarra por al-Mu'tasim criaram uma divisão entre os califas e o povo que eles alegavam governar. Além disso, o poder dos mamelucos cresceu de forma constante até que al-Radi (934–941) foi coagido a entregar a maior parte das funções reais para Mohammed bin Raik .

Os abássidas continuaram a manter uma presença, uma ilusão de autoridade, confinada a assuntos religiosos, no Egito, sob o reinado dos Mamelucos.

O Fim

A dinastia abássida finalmente terminou com al-Mutawakkil III, que foi levado como prisioneiro por Selim I a Constantinopla, onde ele manteve um papel cerimonial até a sua morte em 1543.

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