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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Hassan ibn Sabbah e a Ordem dos Assassinos

Hassan-e Sabbah
Origens

A Ordem de Assassinos foi uma seita fundada no século XI por Hassan ibn Sabbah, conhecido pela alcunha de "Velho da Montanha".
A seita é uma corrente do Ismaelismo, uma espécie de corrente do esoterismo islâmico enquadrado na variação Xiita, considerada o primeiro grupo terrorista muçulmano por autores que a depreciam.
A origem dos Assassinos vem antes mesmo da Primeira Cruzada, por volta de 1080, e é fruto de uma disputa sucessória no Califado Fatímida, uma dinastia xiita que governou o Norte de África e o Egito nos séculos X e XI. Após a morte do califa fatímida al-Mustansir em 1094, Hassan ibn Sabbah (fundador da ordem) recusou-se a reconhecer o novo califa, al-Musta'li, decidindo apoiar o irmão mais velho deste, Nizar.
Sua sede era uma fortaleza situada na região de Alamut, no Irã.
Em 1090, Hassan e os seus partidários já tinham capturado a fortaleza de Alamut, situada perto da atual cidade iraniana de Teerã. Esta fortaleza serviu como centro de operações, a partir da qual Hassan comandava a realização de ataques nos territórios que são hoje o Iraque e o Irão.
A partir do século XII, os Assassinos começam a atacar a Síria, tendo tomado vários castelos situados nas montanhas de An-Nusayriyah. Um desses castelos foi Masyaf, a partir do qual Rashid ad-Din as-Sinan governou de forma praticamente independente em relação a Alamut.
O grupo era conhecido tanto pela extrema fidelidade de seus membros quanto pela sua ferocidade.
É um dos primeiros grupos de orientação islâmica que utilizava o ataque suicida como demonstração de fé e lealdade. Segundo alguns relatos da época, Hassan possuía cerca de 60 mil seguidores.

Senhor de Alamut
Hassan i Sabbah

Hassan ibn Sabbah Homairi era filho de uma poderosa família iraniana de Qom – centro de propagação do ismailismo. Se intitulava a sétima encarnação do Imam Ismael, o chamado "Sétimo profeta" depois de Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé.

A partir de 1079 passou a viver no Egito (Cairo) onde estudou e aperfeiçoou seu conhecimento do Corão, descobriu o Antigo e o Novo Testamento, além dos textos vedas hindus – conhecidos desde as invasões de Alexandre, o Grande. Sabbah promoveu a reunião dessas religiões, misturando ainda o zoroastrismo e acrescentando, nesta síntese, um pouco de neoplatonismo.

Durante a sua permanência no Cairo, Hassan relacionou-se com Nizar, filho do califa da dinastia fatímida, al-Mustansir, até que Nizar foi afastado da sucessão pelo vizir al-Afdal. Talvez esteja aí a origem do ódio de Hassan à dinastia fatímida. Foi em torno do nome de Nizar que ele reuniu os seus primeiros seguidores – os nizaritas.

Das várias e dramáticas facções ismaelitas, as mais famosas foram a dos fatímidas do Egito, a dos ismaelitas hindus e a dos ismaelitas reformados de Alamut – chefiada por Hassan.

O pluarismo religioso de Hassan i Sabbah

A destruição da biblioteca de Alamut pelos mongóis dizimou suas fontes primeiras. Parte da memória de Hassan i Sabbah foi encontrada entre os ismaelitas da Índia. O pouco que se sabe sobre a sua vida é contado pelo historiador árabe mongolizado, Ala-Ed Din D'joueïny, que teve a oportunidade de estudar durante um ano, com a permissão do khan Hulagu, a biblioteca de Hassan em Alamut. Dos textos encontrados na Índia, a narrativa da fuga de Isfahan, onde Hassan teria tido uma visão de Zaratustra que o encaminhou para o norte, ao encontro de seus iniciadores – membros de uma seita secreta, "numa caverna de uma alta montanha", para receber a iniciação pelo senhor da montanha. A tradução do texto encontrado na Índia, por W. Ivanov, é de "Jean Claude Frère, L'Ordre des assassins, caps. I e II, pp. 15 a 78)". O texto revela uma mistura de elementos zoroastrianos, cristãos e islâmicos. Hassan teria, então, recebido dos iniciadores a missão de "libertar a raça ariana e fundar um novo império, tendo por base a nova religião.". No Cairo, Hassan completou sua iniciação na famosa "Casa das Ciências" do Islamismo.

Suas andanças, após ser expulso da Pérsia pelos turcos seljúcidas – adeptos da ortodoxia sunita, o levaram a muitos fiéis, dispostos a obedecê-lo cegamente até mesmo com o sacrifício da própria vida: a Ordem dos Assassinos, uma ramificação do ismaelismo no Irã, na Síria e no Iraque. Na hierarquia da seita os iassek estavam no patamar mais baixo - a massa dos fiéis. Depois deles, os mujib - dependendo de sua aptidões poderiam se tornar fedayin, os que se sacrificam. Os denominados de rafik eram treinados para comandar fortalezas e dirigir a organização. Os da'i eram os missionários. Por último, no topo da pirâmide, estava o grande senhor: Hassan.


Hashashin

Quando Hassan conquistou a fortaleza de Alamut, em 04 de setembro de 1090, no final do século XI, ela estava sob o domínio seljúcida. Os sectários de Hassan, infiltrados entre os habitantes de Alamut, conquistaram a confiança dos seus residentes, convertendo-os secretamente, permitindo que Hassan, enfim, dominasse a fortaleza de Alamut, localizada em posição estratégica, no coração das montanhas Elbourz, a 1.800 metros de altitude, no noroeste do Irã.

Hassan permitiu que o comandante deixasse seu castelo com um dote de 3.000 dinares de prata em pagamento pela fortaleza. Deste ponto em diante, a sua comunidade e as suas filiais espalharam-se pelo Irão e Síria, e vieram a ser chamadas de hashashin ou hashishin ou assassinos, um novo culto islâmico.

Hassan era extremamente restrito e disciplinado. A revogação da lei islâmica (Charia) ocorreu sob o governo de outro Grão Mestre - Hassan II, em 1174. O uso de haxixe pela comunidade provavelmente só ocorreu depois também.

O termo "Assassino"

Existem muitas versões diferente a respeito mas, provavelmente, a origem da palavra "Assassino" e outras semelhantes em várias línguas europeias se refere a uma adaptação via francês e italiano do termo árabe "hashishiyyin", "usuário de haxixe", de "hashish", "maconha em pó", literalmente "erva seca".
Desde Marco Polo que se acredita nisso, que o termo provém de "haxixe" ou que o nome da erva haxixe tem origem no ato de "haschichiyun", que significa "fumador de haxixe". Algumas fontes cristãs medievais relatam que os Assassinos teriam por hábito consumir esta substância antes de perpetrarem os seus ataques, induzindo-lhes a visão do Paraíso. Contudo, as fontes ismaelitas não fazem referência a qualquer prática deste tipo, sendo esta lenda resultado de relatos de Marco Polo e de outros viajantes europeus no Médio Oriente.
No entanto, Amin Malouf afirma que "A verdade é diferente. De acordo com textos que chegaram até nós a partir de Alamut , Hassan-i Sabbah gostava de chamar seus discípulos de Asasiyun, ou seja, pessoas que são fiéis à Asas (ou "Assass"), que significa "fundação" da fé. Esta é a palavra, mal compreendida pelos viajantes estrangeiros, que parecia semelhante ao 'haxixe' ".
Deve-se levar em consideração que muito do que foi escrito sobre os Assassinos eram relatos de pessoas contrárias à ordem. A maioria das fontes que tratam de funcionamento interno da ordem foram destruídas com a captura de Alamut pelos mongóis em 1256.

Gravura do 26º Imã Ismaelita Nizari,‘Alā al-Dīn Muhammad bin Jalāl al-Dīn Hasan
"Viagens de Marco Polo"

O método dos Assassinos

Apesar de andarem uniformizados na fortaleza de Alamut com trajes brancos e um cordão vermelho em volta da cintura, quando recebiam uma missão, camuflavam-se. Preferiam se misturar aos mendigos das cidades da Síria, da Mesopotâmia, do Egito e da Palestina para não despertarem a atenção. Em meio à multidão urbana, eles levavam uma vida comum para não atrair suspeitas, até que um emissário lhes trazia a ordem para atacar. Geralmente, eles aproximavam-se da sua vítima em número de três. Se por acaso dois punhais ou lâminas ocultas nas mangas fracassassem, haveria ainda um terceiro a completar o serviço. Atuavam em qualquer lugar - nos mercados, nas ruas estreitas, dentro dos palácios e até mesmo no silêncio das mesquitas, lugar por eles escolhido em razão das vítimas estarem ali entregues à oração e com a guarda relaxada. Até o grande sultão Saladino, seu inimigo de morte, eles chegaram a assustar, deixando um punhal com um bilhete ameaçador em cima da sua alcova.

Pouco ainda se sabe sobre Hassan, mas abundam informações incertas sobre as tácticas usadas para induzir membros à sua organização político-religiosa. Futuramente os Assassinos foram expostos a ritos muito semelhantes àqueles encontrados em cultos onde o praticante era levado a crer que estava sempre próximo da sua morte. Marco Polo, que disse ter visitado a fortaleza de Alamut logo antes desta ser tomada pelos mongóis, deixou uma lenda peculiar sobre os assassinos: o relato sobre algumas pessoas serem drogadas para simular uma morte.

Infelizmente os relatos de Marco Polo são muitas vezes incoerentes e improváveis, tornando difícil separar a realidade da lenda, em uma época de poucas ou destruídas documentações.

Outros membros da Ordem afirmavam que os futuros hashashins eram levados a Alamut quando ainda muito novos e, enquanto amadureciam, eram criados em jardins sob efeito constante de haxixe e excitados por virgens. Em determinado ponto, eram iniciados à ordem, e levados para outras acomodações, estas mais rústicas e cavernais. Aos membros era dito que, ao seguirem as ordens do líder (incluindo assassinato e sacrifício), estes poderiam retornar aos jardins.

O culto foi o responsável por um considerável número de escolares e líderes Sunitas. Avisos não-letais podiam ser mandados também - por vezes ao acordar um futuro alvo encontrava uma adaga fincada ao seu travesseiro, próximo à sua cabeça: eles usualmente entendiam o sinal.

Os assassinos por vezes, para se oporem aos sunitas, se aliaram aos templários - os "Pobres Cavaleiros do Templo de Salomão" - Ordem católica romana responsável pelas cruzadas.

Pequena Biografia de Hassan Sabbah: Uma Perspectiva Ismaelita

Foi em Qom, atualmente Irã, que, em 1056 (próximo ao tempo em que o famoso Macbeth estava se aproximando do fim de seu reinado na Escócia), Hassan Ibn Sabbah nascia em uma família de Ishna Aashariya Shi’s. No início de sua vida ele foi levado a Rades, a 120 kilometros de Teerã. Foi neste centro de matrizes religiosas que Hassan desenvolveu seu interesse por questões metafísicas e aderiu ao 12º código de instrução xiita.

Rades foi uma cidade que, desde o Século IX viu diversos trabalhos missionários radicais de diversas seitas. A Missão Ismaelita chamada Da'wa era uma presença no local. A missão Ismaelita trabalhou em 3 planos: o mais baixo, o soldado, era chamado de Fida'ai; em seguida vinha o Rafeek: o camarada; e finalmente o D'ai, o missionário que trabalhava para missão, a Da'wa.

(Obs: Dawa é o nome dado ao trabalho de divulgação do Islã no mundo e uma obrigação de todo muçulmano no mundo. As pessoas mais empenhadas nessa missão são chamadas de dais.)

Foi aqui que Hassan ainda novo entrou em conferência com Amira Darrab, um Rafeek, quem o introduziu à doutrina ismaelita. Hassan não se impressionou com sua doutrina: ele considerava que ela era não mais do que uma aberração de pensamento, nada a par com o Sunnah. Quando conheceu Darrab, participando tanto de debates passionais que discutiam os méritos da doutrina ismaelita sobre o Musa, a admiração pela doutrina cresceu. Impressionado com a convicção de Darrab, Hassan resolveu conhecer mais a fundo as crenças e doutrinas ismaelitas. Após um mês de estudos dedicado apenas a isto, Hassan se converteu, jurando fidelidade ao Califa do Cairo e continuando seus estudos em outros dois D'ai's.

Seu comprometimento com o Da'wa o levou à audiência com o chefe D'ai da região: Abd al Malik ibn Attash, que impressionado com o menino de 17 anos, o fez Deputado D'Ai, e o aconselhou a ir para o Cairo para maiores estudos.

Mas Hassan não foi para o Cairo. Aqui a vida de Hassan se mistura à sua lenda ao extremo.

Há uma lenda popular associada com Hassan, Omar Khayam – o afamado poeta, filósofo e matemático, e o primeiro ministro dos Turcos Seljúcidas, Nizam al-Mulk. Havia um pacto entre os três: aquele que estivesse favorecido pela fortuna iria ajudar aos outros dois (citado no filme de 1957, Omar Khayyam). Nizam al-Mulk (o nome traduzido seria "Ministro de Estado") cresceu a uma posição de proeminência na corte do turcos que governavam estas áreas. Ele empregou Omar Khayam como poeta e matemático da corte. Hassan também ganhou um cargo na corte, e trabalhando lá e, subindo na hierarquia, se tornou Chefe da Inteligência, começando a ambicionar o posto de Nizam al-Mulk.

Nizam al-Mulk, notando a ambição de Hassan, resolveu envergonhá-lo em frente a toda a corte. Um esquema ingênuo, entretanto: foi dado a Hassan a tarefa de levantar os arquivos do reino todo em apenas 40 dias. Tudo corria bem até o dia em que Hassan deveria apresentar os arquivos - alguém alterou os arquivos e Hassan não os pôde apresentar. O Rei Malik Shah, estava furioso. Ele sentenciou Hassan à morte, mas sob o apelo de Omar Khayyam a sentença foi cancelada e Hassan foi apenas banido do reino.

Existem alguns buracos nesta história popular: Nizam al-Mulk era muito mais velho que Hassan e Omar, e os três terem sido parte de um pacto é muito improvável. Alguns historiadores postulam que Hassan, seguindo sua conversão, estaria abrindo espaço para o Califado Fatimida, e que isto chegou ao conhecimento do Nizam al-Mulk; que era anti-fatimida e anti-Shi’a.

Isto o fez abandonar a cidade e rumar ao Cairo no ano de 1076.

Ele levou cerca de dois anos para chegar ao Cairo. No caminho, ele esteve em várias regiões que não estão diretamente na direção do Egito.

A primeira cidade que ele visitou foi Isfahan, sendo hospedado por um de seus D'ai's da juventude: Resi Abufasl, que continuou a instrução de Hassan. Daí, ele foi ao Azerbaijão, centenas de milhas ao norte, e de lá para a Turquia, onde ele atraiu a ira de alguns sacerdotes em um debate, sendo expulso da cidade onde estava.

De lá ele rumou pelo Iraque, chegando a Damasco na Síria. Ele foi para o Egito partindo da Palestina.

Os registros disso são retirados em parte de fragmentos de sua auto-biografia, e em parte de outra biografia escrita por Rashid al-Din Tabib em 1310.

Hassan chegou ao Egito em 30 de Agosto de 1078.

Ainda é incerto quanto tempo ele passou no Egito; uma visão aceita é a de três anos. Ele continuou seus estudos e se tornou um D’ai completo. Os conceitos que ele estudou foram as filosofias Xiita, Grega (pré-islamica), Persa e Babilônica. Foi Alída e abertamente contra os Sunitas Abássidas.

Enquanto estava no Cairo, estudando e pregando, ele entrou em conflito com o Chefe do Exército Badr al-Jamali, sendo preso pelo Califa al-Muntazir. O colapso do minarete da mesquita foi visto como um sinal ao seu favor, e Hassan foi imediatamente solto e deportado.

O navio em que estava viajando quebrou, ele foi resgatado e levado à Síria. Viajando por Allepo e Bagdá, ele terminou sua jornada em Isfahan em 1081.

Tendo agora sua vida totalmente devotada ao Da'wa, e visitado praticamente todos os locais do Irã, Hassan resolveu assumir suas atividades D'ai em uma área montanhosa ao norte do Irã - os Montes Alborz, região ao sul do Mar Cáspio que abrigava um povo xiita de afamada resistência a subjugações.

Tornando-se o Chefe D'ai daquela área, ele mandou seus missionários treinados pessoalmente para esta região. O Nizam Al-Mulk, sabendo das atividades ismaelitas na região, despachou seus soldados com ordens de capturar Hassan, mas este escapou e se aprofundou nas montanhas.

Sua busca por uma base de onde guiar sua missão terminou quando em 1088 ele encontrou o castelo de Alamut, na região próxima a Rudbar. Se tratava de um forte em frente a um vale de aproximadamente 50 quilômetros de distância e 5 quilômetros de largura. O forte foi construído por volta de 865.

Alamut

Alamūt, (do persa: الموت significa Ninho da águia ~ algumas versões é "A lição da Água", isso sera explicado mais pra frente), foi uma fortaleza situada na Cordilheira Elbruz, ao sul do Mar Cáspio no Irão. De acordo com Hamdollah Mostowfi a primeira fortaleza foi construída em 840, a uma altitude de 2100 m. A fortaleza foi construída de tal forma que só houvesse um meio artificial transitável para chegar a ela, que seria em torno do penhasco, o que dificultaria uma suposta invasão. Em 1090, a fortaleza foi conquistada pelos Hashshashin, uma poderosa seita criada por Hassan I Sabbah conhecidos ao Oeste como Assassinos, e ficou conhecida por seus jardins e sua extensa biblioteca.

Ruínas da fortaleza de Alamut situada na Cordilheira Elbruz ao sul do Mar Cáspio.
Alamūt foi destruída em 15 de dezembro de 1256 por Hulagu Khan, como parte da ofensiva mongol ao Sudoeste da Ásia. A fortaleza em si foi inexpugnável, porém Ruknud-Dīn Khurshāh, líder dos Assassinos rendeu-se sem batalha, na esperança que Hulagu Khan fosse misericordioso. Em 2004 um terremoto danificou ainda mais as paredes já em ruínas do forte.

A lenda diz que sua construção foi feita pelo Rei Wah Sudan ibn Marzuban, quando este viu sua águia voar e pousar sobre a pedra onde a fortaleza seria feita, pois de lá ela via melhor a região. Em homenagem à águia ele chamou o forte de Aluh Amut, que algumas traduções sugerem "A lição da Águia".

A tomada demorou mais de dois anos para se completar: primeiro Hassan enviou seus D'ai e Rafeeks para conquistar as vilas do vale e converter seus povos, principalmente pessoas ligadas ao castelo, para apenas em 1090 tomar o forte.

É dito que em todo seu tempo em Alamut, Hassan apenas saiu de seus cômodos duas vezes quando foi ao terraço. Passou todo seu tempo dedicado ao comando do Dawa Nizarin. Aparentemente ele levou uma vida extremamente ortodoxa dentro de Alamut: ordenou a morte de um de seus filhos por beber vinho, e outra pessoa foi expulsa de Alamut durante seu governo por tocar flauta. Sendo assim, a associação do haxixe aos assassinos na época de Hassan é ainda digna de debate.

Castelo de Alamut

O termo "Assassino" - Complemento

Outro possibilidade etimológica para a palavra "assassino" vem da forma como os Nizarins chamavam Alamut: al-Assas (pronunciado 'assas'), ou em português "A Base". Membros de Al-Assas poderiam ser chamados de assassinos.


Livros
http://www.pulsoeditorial.com.br/livros-historia/a-ordem-dos-assassini.html
http://www.madras.com.br/portal/index.php?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=804&category_id=54&option=com_virtuemart&Itemid=40&vmcchk=1&Itemid=40



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nizaris

Os nizaris são os fiéis do ismailismo nizari (em árabe: النزاريون - an-Nizāriyyūn), um caminho (tariqah) do islamismo xiita que enfatiza a justiça social, o pluralismo e a razão humana dentro de uma tradição mística do islã. Os nizaris são o segundo maior grupo de xiitas e são a maioria dos ismailitas (em árabe: اسماعیلیه). Há um número estimado de 15 milhões de ismailitas vivendo em mais de 25 países e territórios.

Os ensinamentos dos nizaris afirmam o testemunho islâmico da chahada de que "Não existe nenhum outro deus senão Alá e Maomé é o Seu profeta". Como todos os xiitas, os nizaris acreditam que o primo de Maomé, Ali, foi selecionado por um decreto divino para suceder ao Profeta como imam (líder espiritual) da comunidade muçulmana. A instituição do "imanato" continua numa linha contínua hereditária através de Ali e de Fátima, a filha de Maomé, até os dias de hoje. O imam atual, o príncipe Xá Karim al-Husayni, dito Aga Khan IV, é o 49º imam nizari.

Os nizaris são os descendentes espirituais do Califado Fatímida (909 - 1094), através do filho do califa al-Mustansir Nizar, e da seita subsequente dos "Assassinos" de Alamut sob o dai Hassan aṣ-Ṣabbaḥ (1094-1124).

Assassinos

Foi assim que se tornaram conhecidos os nizaris. Os seus inimigos chamavam-lhes hashishin, devido ao hábito de consumirem hashish (haxixe), e foi daí que surgiu a palavra “assassinos”. A seita alcançou o apogeu na época do líder Hasan Sabbah, que instalou o seu quartel-general, em 1090, na fortaleza de Alamut, nos montes Elbruz. Ocuparam também outras praças-fortes na Síria e no Irão, onde pregaram o xiismo, pelo que foram perseguidos pelos sultãos seljúcidas, que eram sunitas. Os nizaris reagiram e adotaram uma estratégia de assassínios políticos, em plena luz do dia e de extrema violência, contra dirigentes inimigos, como o vizir Nizam al-Mulk ou o califa abássida Al-Rashid. Considerados heterodoxos por outros muçulmanos, os assassinos não cumpriam as leis islâmicas relativas ao álcool e ao jejum no Ramadão. No século XIII, entraram em declínio e a fortaleza de Alamut foi destruída, em 1256, pelos mongóis. Em 1273, o último sultão mameluco, Baybars, tomou o derradeiro ba­luar­te nizari na Síria.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Ismaelismo

Leão Ismaelita
Caligrama do Leão Ismaelita;
Símbolo associado ao Ismaelismo.
Ismaelitas ou Septimâmicos

O ismaelismo é uma doutrina religiosa considerada como um ramo do xiismo. Os adeptos do ismaelismo são também denominados como septimâmicos em função de apenas reconhecerem os sete primeiros imãs do islão xiita: Ali ibn Abi Talib, Hasan ibn Ali, Husain ibn Ali, Ali Zain al-Abidin, Muhammad al-Baqir, Dschafar as-Sadiq e Ismail ibn Dschafar. Diferente dos duodecimanos (xiita dos doze) que não reconhecem Ismail mas Musa al-Kazim, e deste para frente.

A conturbada sucessão de Maomé

Com o falecimento do profeta Maomé (falecido em 632) o comando da nova religião foi assumido por seu sogro, Abu Bakr, que passou a ser chamado Khalifat rasul Allah, ou seja, o 'sucessor do mensageiro de Deus'. No entanto, como este veio a falecer pouco tempo depois, um segundo Califa denominado Umar ou Omar, assumiu o poder. Todavia, a escolha não foi aceita por todos e o Califa Umar foi assassinado no ano de 644. Umar havia estabelecido um corpo de eleitores que elegeu Uthman (ou Otman) como novo Califa, mas para alguns esta honra deveria ter recaído desde o primeiro momento sobre o genro e primo de Maomé, Ali.

O cisma do Islão: Xiitas e Sunitas

Assim, algumas décadas após a morte do profeta Maomé gerou-se um cisma no islão em torno de quem deveria ser o líder da comunidade islâmica. Os partidários de Ali (do árabe 'shiat Ali'), passaram a ser conhecidos como xiitas e sustentam que o verdadeiro sucessor do profeta deveria demonstrar sua descendência direta de Ali. Em contra partida, a outra corrente do islã chamada de sunita não acreditava na necessidade do sucessor ser descendente de Ali e acreditava representar o desejo da maioria.

Antes da morte do profeta Maomé, Alá revelou a ele a sua última mensagem. O profeta foi, então, comunicar a mensagem ao povo num certo local denominado Ghadir-e-Khum ("Vale do Lago"). Após a revelação da mensagem, o profeta disse: MAN KUTUM MOWLAHU FA-ALI MOWLA ("Para quem eu sou Senhor, Ali será seu Senhor também"). Os muçulmanos que não aceitaram Ali como sucessor do profeta chamam-se sunitas e os que aceitaram Ali como 1.º imã, são os chamados xiitas.

As divisões dentro do Xiismo: Controversas a partir do sétimo Imã e o nascimento do Ismaelismo

Como dito anteriormente, os xiitas reconheceram os descendentes de Ali como guias espirituais, sendo estes conhecidos como imans. Eventualmente no seio do islão xiita surgiram conflitos em torno de quem deveria ser reconhecido como imã legítimo.

O sexto imam xiita, Jafar as-Sadiq, teve dois filhos, Ismael e Mussa. De acordo com a visão ismaelita, Sadiq nomeou o seu filho Ismael como seu sucessor. Porém, Ismael morreu três anos antes do pai, em 762 (ou segundo os ismaelitas escondeu-se por ordem do próprio pai). Uma parte da comunidade xiita entendeu por isso que o sétimo imã deveria ser Musa, enquanto que os outros (mais tarde conhecidos como ismaelitas), consideram Ismael como sétimo imã, apoiando a sucessão através do filho deste, Maomé.

Dessa forma, correto afirmar os Xiitas se subdividiram. Todos acreditavam que o chefe do Estado, ou imam deveria ser um descendente de Ali, dotado do dom de infalibilidade no escrutínio da vontade de Deus. Mas discordavam de quem seria tal pessoa.

Os seguidores de Ismael, conhecidos por ismaelitas ou xiitas do sete imanes, porque aceitavam de incío apenas sete Imãs, sendo o sétimo Muhammad Ibn Ismael, foram considerados inimigos não só pelos sunitas como pelos demais xiitas.

No século seguinte pouco se sabe sobre os partidários de Ismael. No século IX este grupo cristalizou-se num grupo centrado na Síria, que se opunham ao califas abássidas.

Califado Fatímidas: O primeiro califado Ismaelita, a Fundação do Cairo e a destruição da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém

Em 909 um ismaelita, Ubayd Allah al-Mahdi Billah, fundou um estado no norte de África, mais precisamente na área da atual Tunísia. A dinastia por si formada tomaria o nome de fatímidas, pois alegava ser descendente da filha de Maomé, Fátima e de Ali. Em pouco tempo, os fatímidas conquistaram o Egito, onde fundaram a cidade do Cairo no ano de 969, que funcionaria como capital da dinastia.

Um dos califas desta dinastia, al-Hakim (falecido em 1021) foi proclamado "divino" por ad-Darazi. Al-Hakim ordenou também a destruição da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, um dos fatores que contribuirá para as Cruzadas.

Crises no Califado Fatímida; Mais uma divisão: Fatímidas e Nizaritas

Em 1094 ocorreu uma crise sucessória no Califado Fatímida. Após a morte do califa al-Mustansir, os irmãos al-Musta'li e Nizar lutariam pela liderança do califado. Os governantes fatímidas apoiariam al-Musta'li e os seguidores de Nizar, que ficariam conhecidos como nizaritas, fugiram para as montanhas da Síria e do Irão.

Na Síria o ramo nizari desenvolveu uma seita chamada hashashin ("assassinos").

Doutrina

À semelhança dos outros muçulmanos, os ismaelitas acreditam num único deus e no profeta Maomé como mensageiro divino. Partilham com os outros xiitas a crença que Ali foi nomeado por Maomé para líder a comunidade muçulmana, devido à sua capacidade para interpretar a mensagem de Deus, dom que foi transmitido aos seus descendentes.

Contudo, ao contrário dos outros xiitas, os ismaelitas seguem um imã vivo, o qual é denominado como "Hazir Imam". Os nizaritas têm como seu imã o Aga Khan.

O pensamento ismaelita apresenta igualmente uma visão cíclica, desenrolando-se a história ao longo de sete eras. Cada uma destas eras é iniciada por um profeta, que traz consigo uma escritura sagrada. Cada profeta é acompanhado por um companheiro silencioso, que revela os aspectos esotéricos da escritura. Os seis primeiros ciclos estiveram associados aos profetas Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé. O companheiro silencioso de Maomé foi Ismael, que regressará no futuro para ser o profeta do sétimo ciclo. Este sétimo ciclo implicará o fim do mundo. Até esse momento o conhecimento oculto deve ser preservado em segredo e revelado apenas a iniciados.

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